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Diálogo e teatro: uma nova forma de receber os refugiados

A crise dos refugiados é um dos principais problemas que o mundo tem enfrentado nos últimos anos. No Brasil, vários setores da sociedade têm se debruçado sobre essa grave situação e hoje, ações de acolhimento, reconhecimento e respeito já estão dentro da sala de aula de alguns brasileiros.

Mas qual a melhor forma de tratar essa questão dentro das escolas? O Colégio Equipe, de São Paulo, inovou ao adotar uma abordagem pouco tradicional sobre este tema: através do teatro.

Desde 2016 a escola mantém contato com a ONG África do Coração, fundada por um refugiado do congo, e viu crescer entre os alunos o interesse sobre este assunto. A base da parceria foi a vontade de criar um canal de diálogo entre os estudantes e os refugiados, onde os dois lados pudessem interagir e trocar experiências.

“Sabíamos muito pouco das condições de saída das pessoas de seus lugares de origem, dos deslocamentos que fizeram até chegar a São Paulo e, menos ainda, das condições de vida que levam no Brasil”, conta Celina Fernandes, uma das coordenadoras do projeto do Equipe.

Diálogo e formação

Depois desse primeiro contato, que rendeu alguns encontros entre a comunidade escolar e refugiados, o colégio concluiu que poderia levar a ação mais adiante e, no segundo semestre de 2017, deu início o projeto teatral Ver o Mundo.

Segundo Celina, a idéia surgiu a partir da constatação de que era necessário realizar uma ação com os refugiados, e não para eles, ou seja, que prezasse pelo diálogo e pela troca e promovesse ganhos para os dois lados.

O Ver o Mundo, bem como os outros projetos sociais realizados no Colégio Equipe, têm um caráter formativo. Isso se contrapõe à uma visão puramente assistencialista, geralmente associada aos trabalhos com grupos em situação de risco.

Mas a inevitável rotatividade de participantes, conseqüência da indefinição que ronda a vida dos refugiados, não seria um entrave para o desenvolvimento do trabalho?

Segundo Gabriel Máximo, educador do projeto, isso não é um problema. “Para nós, o processo de desenvolvimento de cada atividade é mais importante do que o resultado final. Assim, se alguém pôde comparecer a apenas um encontro, porém teve um diálogo benéfico, a ação já foi satisfatória”, explica.

Isso explica a opção pelo gênero teatro documentário. Cada encontro entre os alunos e os refugiados gera documentos, como por exemplo, a produção de mapas sobre a cidade segundo a perspectiva de cada um. Ao final do ano será apresentada uma dinâmica com base no que foi produzido ao longo dos encontros.

A troca de experiências e memórias junto aos refugiados traz inevitavelmente um grande ganho para os alunos do Equipe. “Ao colocar os estudantes em diálogo com povos e culturas que eles geralmente não têm contato, buscamos que eles reflitam também sobre si próprios, seus preconceitos e convicções, e tornem-se mais críticos”, conclui a coordenadora.

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