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História: diferentes visões em textos e imagens

A leitura de narrativas primárias, como cartas e textos jornalísticos, e a análise de fotos, pinturas e ilustrações ajudam os alunos a interpretar fatos. Veja como conduzir em sala essas duas atividades permanentes, essenciais no ensino da disciplina.

É por meio do registro humano – na forma de um objeto ou na de uma pintura ou de um texto – que se constrói (ou reconstrói) a história. Ela é a leitura e a narração que o historiador faz do passado, com a análise de uma série de referências que compõem o todo. Ao ensinar a disciplina, é preciso mostrar aos jovensque os fatos passados não são verdades absolutas, mas interpretações. Portanto, elas podem mudar caso surjam novas evidências que as contestem.

Por isso, é importante colocar os estudantes em contato com narrativas primárias (textos de autores que não são especialistas na área e também que não sejam didáticos) e fontes iconográficas (fotos, mapas e outras representações visuais). Esse material mostra diversos aspectos da história que muitas vezes não são contemplados nos livros escolares. “Ler narrativas e imagens é ler o passado. Precisamos aprender a ler, interpretar e comunicar o que concluímos por conta própria para produzir o conhecimento histórico”, diz Maria Auxiliadora Schmidt, professora de Metodologia e Prática do Ensino de História da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Duas atividades permanentes são essenciais para dar aos alunos uma visão crítica da história.

Dica do colega

“A noção de tempo é fundamental para a compreensão da História. Peça que os jovens identifiquem nos textos os marcadores temporais: expressões de tempo, citações de povos antigos (como os gregos) e o uso de verbos no passado, no presente e no futuro. Nas imagens, esse tipo de informação pode estar nas roupas dos personagens retratados e nos cenários em que eles aparecem.”

João Luis da Silva Bertolini, professor da EE João de Oliveira Franco, em Curitiba

Análise de imagens

Tudo que é produto humano é documento histórico. Por isso, é fundamental trabalhar com várias produções e diferentes linguagens. Você pode levar os alunos a museus e exposições para ver de perto pinturas, fotografias e cartazes, por exemplo. Em campo, é necessário conduzir a análise dos estudantes com base no contexto de produção da obra. Eles devem levantar diversas informações sobre a imagem: quem é o autor dela e em que ano e local foi produzida. O próximo passo é analisar o conteúdo: quais elementos compõem a figura, como eles interagem entre si e qual a função de cada um (leia a atividade). “Esses dados dão pistas tanto dos fatos históricos como da leitura que o autor fez do período retratado”, explica Pedro Moura, professor do Colégio Sidarta, em Cotia, na região metropolitana de São Paulo. Moura estudou com sua turma a pintura Independência ou Morte, de Pedro Américo (1843-1905).

O mesmo trabalho pode ser feito com reproduções impressas desde que se recorra a fontes confiáveis, como sites de museus, bibliotecas públicas e universidades. Muitas vezes, na internet há reproduções de imagens desfiguradas ou que não correspondem ao original.

Análise de imagens
– O professor Moura, do Colégio Sidarta, pediu que os alunos identificassem que características do quadro expressam a sociedade da época.

– Eles pesquisaram quem era o autor da pintura, se viveu na época retratada e que grupos econômicos representavam a elite.

– Depois, analisaram a disposição dos elementos na cena, fizeram anotações e elaboraram um texto crítico sobre o assunto.

 Leitura de narrativas primárias

Ao entrar em contato com fontes primárias, o aluno é colocado como protagonista do processo de produção do conhecimento e se sente motivado ao ver que está diante de um registro que faz parte da história (leia a atividade). A atividade com narrativas desperta a capacidade de abstrair conceitos e a de fazer analogias. “Ela desenvolve o letramento em História: aprender a ler, pensar e escrever o mundo historicamente”, diz Maria Auxiliadora. Não existe documento que não possa ser estudado: da constituição a reportagens. Quando se trabalha com essas últimas, a moçada percebe com clareza que os personagens da história e quem a relata possuem pontos de vista diferentes. Adriane Sobanski, professora do Colégio Federal do Paraná, em Curitiba, escolheu o artigo Fala aos Sargentos: Princípio do Fim, publicado na revista O Cruzeiro em 10 de abril de 1964, para abordar a ditadura com a turma do 9º ano. “Discutimos como e por que se iniciou o processo ditatorial, quem se sentia ameaçado e os motivos”, diz Adriane.

Leitura de narrativas
– No Colégio Estadual do Paraná, Adriane pediu que os estudantes analisassem as características do texto da revista.

– Nesse momento, eles identificaram que o documento é jornalístico.

– Por fim, a professora levou a turma a refletir sobre o conteúdo, a autoria e o propósito da narrativa, relacionando-a ao veículo e ao contexto da época estudada.