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Suicídio em jogos e série. O que as escolas estão fazendo?

A série 13 Reasons Why, e o jogo “Baleia Azul” levam a um debate sobre o trabalho desenvolvido pelas escolas e pelas famílias na prevenção ao bullying e à depressão.

Na última semana o assunto que tem  gerado grande preocupação entre os pais e especialistas refere-se ao bullying e o suicídio entre jovens adolescentes, em função de dois fatores que abordam o assunto de forma enfática: A série 13 Reasons Why, e o jogo “Baleia Azul”, que incentivaria o suicídio.

Hoje temos alguns mundos! O real e o virtual/fictício. E é o mundo virtual/fictício  que está chamando a atenção de educadores e mobilizando as escolas a desenvolverem, cada vez mais,  trabalhos de formação do aluno/cidadão no universo da web.

Educadores alertam  sobre a necessidade urgente de um olhar mais apurado para o comportamento dos jovens e sociedade em geral, no ambiente virtual. A intensificação de conflitos,  falta de postura e respeito, a superexposição, a questão do cyberbullying, da segurança, das informações confiáveis e não confiáveis  são apenas alguns dos aspectos a serem observados e trabalhados.

“Outro ponto a ser desenvolvido com os jovens refere-se aos sentimentos como a angústia, a tristeza, a decepção, presentes na vida de todos nós. É importante que os jovens, assim como seus pais, reconheçam a força desses afetos e as possibilidades de lidar com eles na superação de problemas e conflitos”, diz a psicóloga da Escola Lourenço Castanho, Karyn Bulbarelli.

Algumas escolas já estão atentas a esta questão e vêm trabalhando e intensificando a formação moral e social do aluno para o mundo digital. “As escolas estão fazendo o seu trabalho, mas falta à sociedade dar maior ênfase a esta questão. É necessário falar mais! A mídia tem de expor mais este assunto e as famílias devem ficar atentas e também fazerem o seu papel de formador junto aos filhos, no ambiente virtual”, diz  Elizabeth Sanada, psicóloga, doutora em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento  e professora em cursos de graduação e pós graduação no Instituto Singularidades.

Na Escola Lourenço Castanho os alunos tem aulas de orientação educacional uma vez por semana. “Isso é ótimo, pois temos tempo para aprofundar o debate e levar a discussão para níveis bem interessantes”, diz Karyn. Ela conta que a série da Netflix e o jogo russo já estão sendo debatidos com os alunos, mas em cada série de um jeito diferente.

“Nas séries iniciais de fundamental 2, nem tocamos nos nomes dos jogos ou series. Eles ainda estão meio distantes dessas propostas. Do oitavo ano ate o 3 ano do médio, a conversa é mais profunda!”, explica Karyn. Ela ainda ressalta que o trabalho pode se estender a entrevistas individuais com os alunos e se necessário, com os pais, além de todos os professores da escola.

Na Escola Stance Dual, o trabalho de formação do aluno/cidadão digital começa desde a fase da alfabetização. A escola criou um currículo específico para este trabalho que perpassa por todas as disciplinas formais e a área de orientação educacional do F1 e F2.

“O aluno pode trabalhar em ambiente virtual, mas ele tem de ser preparado para o uso crítico e consciente deste ambiente”, diz a professora de tecnologia de informação, Juliana Caetano.

Ela conta que no 3º ano do fundamental, os educadores fazem um mapeamento das ferramentas tecnológicas e ambientes na web que os alunos utilizam, e como utilizam. E a partir da constatação, trabalham com os alunos sobre os perigos e as potencialidades que estão disponíveis e que carecem de olhar atento.

Quando estão maiores os  alunos utilizam ferramentas tecnológicas e produzem vídeos, animação e etc  alertando aos colegas das outras séries sobre as ciladas mais comuns do mundo virtual. “Este ano, o 6º ano fez um roteiro de animação alertando para a prática do cyberbullying”, diz a professora.

 

Entrevistas:

Escola Stance Dual – Luciana Lapa é psicóloga e orientadora educacional; pesquisadora sobre o Bullying no grupo GEPEM- Grupo de Educação e Pesquisa em Educação Moral Unicamp/Unesp.

Instituto Singularidades – Elizabeth dos Reis Sanada  é  psicóloga, doutora em psicologia escolar e do desenvolvimento humano / Educação Infantil; Gestão Educacional; Sexualidade e Gênero; Adolescência; Tecnologia e Educação; Autonomia; Limites e Indisciplina. Professora nos cursos de graduação e pós no IS.

Escola Lourenço Castanho Karyn Bulbarelli é psicóloga e psicopedagoga na Escola Lourenço Castanho.

Colégio Equipe Luciana Fevorini é psicóloga, psicopedagoga e Diretora Escolar.

 

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