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Documentação pedagógica revela como o aluno aprende

Uma das práticas mais importantes para o professor saber se o aluno está aprendendo é a chamada documentação pedagógica. No entanto, apenas fazer o registro dos trabalhos não é o suficiente. É fundamental o professor interpretar a produção dos alunos, compartilhar com os colegas e assim compreender o estágio deste aprendizado. Para ajudar o professor a produzir um bom documento pedagógico estão no Brasil duas educadoras argentinas especializadas no tema e no ensino da primeira infância: Alejandra Dubovik e Alejandra Cippitelli.

Mantenedoras da Escola Fabulinus, na Grande Buenos Aires, elas farão a oficina DOCUMENTAÇÃO PEDAGÓGICA – TEORIA E PRÁTICA NO PROCESSO DE APRENDIZAGEM, organizada pela rede de formação docente Pedagogia Subjetividade. Será no próximo dia 29/03, na Escola Stagiun, em Diadema, na Grande São Paulo.

Nesta entrevista à CGC Educação, Alejandra Dubovik explica as melhores ferramentas para registrar a Documentação Pedagógica e a importância de toda a escola se envolver nesta ação educativa.

CGC Educação – Por que a documentação pedagógica é importante para o processo de aprendizagem dos alunos?

Alejandra Dubovik – Porque é preciso pensar a Documentação Pedagógica como uma prática inerente à pedagogia, que é construída a partir da realidade de como as crianças aprendem. O documento “como aprender” é uma das questões-chave em uma escola que valoriza, respeita e confia no aluno. Sem a documentação não se consolida nenhum processo pedagógico, já que ela serve para a reflexão e para a construção do conhecimento. Ao documentar, os professores aprendem a forma como os alunos aprendem.

CGC Educação – Quais as melhores ferramentas para um bom registro de Documentação Pedagógica?

Alejandra Dubovik – A documentação é qualquer compilação de imagens, histórias, desenhos, palavras, ideias, produções das crianças. Ela precisa estar organizada para dar uma mensagem ao leitor. Assim ela torna-se uma escuta visível, uma operação não apenas educacional, mas cultural. Toda a documentação requer a hipótese de um projeto, o que a abordagem italiana de Reggio Emilia chama de declaração de intenções. Significa dizer “quero mostrar isso e tenho a ideia de fazer desta maneira”. Esta postura exige uma idéia comunicativa diferente: de acordo com esta intenção, o professor escolhe as ferramentas, que podem ser a câmera de foto, de vídeo, gravador ou registros escritos. Todos serão utilizados para definir os formatos de documentação.

CGC Educação – Como o professor deve compartilhar a Documentação Pedagógica com a direção e corpo docente e transformá-la em uma prática na sala de aula eficaz?

Alejandra Dubovik – A Documentação Pedagógica é um trabalho coletivo-interativo, é um processo de trabalhar junto com os colegas e os gestores. Deste ponto de vista, ela nos faz superar a idéia da solidão-docente e da auto referência. A documentação implica em um conceito colegiado com todos os professores, há uma solidariedade de idéias para que ela se concretize. Ela deve ser vista como uma investigação coletiva, já que a idéia fundamental é construir a escola.

CGC Educação – Nas suas palestras, quais são as principais dúvidas levantadas pelos professores?

Alejandra Dubovik – Uma das dificuldades encontradas tanto na direção da escola quando nos professores é fazê-los entender que a documentação não é uma mera compilação de fotos e suas histórias. É um trabalho completo de interpretação, que nos levará a novos projetos e novas interpretações. Outras perguntas frequentes são: devemos documentar tudo o que acontece na sala de aula? Como faço para escolher os momentos de registro? Há diferentes tipos de documentação? Podemos documentar só um momento ou todo o processo?

CGC Educação – Na sua opinião, por que a abordagem de Reggio Emilio tem crescido tanto no Brasil e na Argentina?

Alejandra Dubovik – Nos últimos anos, uma grande quantidade de educadores brasileiros têm abordado a proposta de Reggio Emilia, o que tem causado um grande impacto cognitivo-pedagógico, visual e emocional. Nós sentimos o mesmo na Fabulinus, quando conhecemos a proposta Reggiana. Depois de uma longa jornada, temos sido capazes de entrar em diálogo com esta proposta e utilizar alguns recursos dentro da nossa realidade e do nosso contexto escolar.

CGC Educação – Quais são os principais requisitos para ser um bom professor?

Alejandra Dubovik – Os requisitos de um bom professor são muitos. Algumas condições que nos parecem importante são um professor curioso, investigador e ter muita paixão pelo que faz. Ele deve valorizar os eventos culturais, como a música, a dança, a literatura, a poesia, o teatro, o cinema, a pintura e a arquitetura, mas não apenas de forma didática, mas como valores pessoais.

CGC Educação – Que conselhos você daria para um jovem que que ser professor? Como atrair os jovens para a magistério? Alejandra Dubovik – O professor deve ser um frequentador assíduo de eventos culturais, principalmente na sua comunidade. Ele deve ler muito o que gosta, mas também ler sobre a sua profissão. Ele precisa estar sempre atualizado e conversar com seus colegas. Estas ações terão o feliz efeito colateral de melhorar as suas práticas. Acredito que a docência tem muito de vocação, mas tanto no Brasil quando na Argentina, me parece muito importante valorizar o professor e melhorar os salários.купить копировальный аппараталександр лобановскийгоршок стульчик детский