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Educação avança pouco no Índice de Desenvolvimento Humano do Brasil

A educação brasileira manteve a trajetória de crescimento no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) em 2015, divulgado nesta terça-feira, dia 21, pela ONU. No entanto, o IDH do Brasil ficou estável pela primeira vez em 25 anos.

O país está na 79ª posição num ranking de 188 nações, com IDH de 0,754, o mesmo de 2014. O índice mede o progresso de uma nação a partir de três dimensões: renda, saúde e educação.

De acordo com as Nações Unidas, o Brasil melhorou nos critérios de saúde e educação, mas piorou no de renda, o que provocou a sua estagnação.

O Brasil está na lista de nações com alto desenvolvimento humano – quanto mais próximo de um, maior o desenvolvimento.

Mais educação

De acordo com o relatório, a média de anos de estudo no Brasil estava em 7,8 anos em 2015, contra 7,7 no ano anterior. Em 1990, quando o índice começou a ser divulgado, os brasileiros tinham 3,8 anos de estudos.

Média de estudos passou de 3,8 anos para 7,8 em 25 anos

Média de estudos passou de 3,8 anos para 7,8 em 25 anos

 

Reportagem do G1 registra que o índice de anos de estudos no Brasil é inferior às médias registradas no Mercosul (Argentina, Paraguai e Uruguai) e no Brics (Rússia, Índia, China e África do Sul).

A reportagem publicada no site do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) destaca que o relatório do IDH revela que nos últimos 25 anos o mundo registrou progressos importantes, mas eles não têm sido universais. Mulheres, grupos étnicos e raciais, populações rurais  e cidadãos de alguns países não têm conseguido se beneficiar desses avanços.

“Não será possível alcançar o desenvolvimento humano se metade da humanidade é ignorada. A desigualdade de gênero e a falta do empoderamento das mulheres é um desafio ao progresso global em todas as regiões e grupos”, diz o relatório, elaborado com base em dados até 2015.

4 eixos

O documento traz quatros estratégias necessárias para alcançar as populações atualmente excluídas.

  1.  Piso de proteção social (políticas universais de saúde e educação; de assistência social, como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada; benefícios previdenciários para grupos vulneráveis; inclusão financeira);
  2. Políticas de ação afirmativa (para mulheres, negros, indígenas, pessoas com deficiência entre outros grupos vulneráveis);
  3. Desenvolvimento humano sustentável (para que choques, como recessões econômicas, epidemias, desastres naturais, não façam as pessoas voltarem à situação de pobreza);
  4. Participação e autonomia dos excluídos(efetivar os tratados de direitos humanos, garantir o acesso à justiça, promover inclusão, efetivar o direito à informação).

O relatório também sugere para a superação dos desafios do desenvolvimento humano medidas como a regulação de investimentos e mercados justos, migração justa e mudanças na composição do Conselho de Segurança da ONU.

A ONU alerta ainda para as grandes desigualdades: existem 300 milhões de pessoas pobres nos países de renda elevada. No Brasil, a renda média per capita familiar, em 2010, era de R$ 793,87. Na cidade de São Caetano do Sul (SP) chegava a R$ 2.043,00, enquanto em Marajá do Sena (MA) – município de menor renda do país – alcançava apenas R$ 96,25.

“Reconhecer essas disparidades é fundamental para fazer com que as políticas como o Bolsa Família sejam fortalecidas e cheguem aos locais e às pessoas que mais necessitam”, afirma o coordenador residente do Sistema ONU e representante do PNUD no Brasil, Niky Fabiancic.

Mais desigualdade

 

Brasil tem 206 milhões de habitantes

Brasil tem 206 milhões de habitantes

No IDH ajustado à desigualdade – um método que relativiza o desenvolvimento humano em função da diferença entre os mais e menos abastados de um país – o Brasil é o 3º país que mais perde posições, empatado com Coreia e Panamá e atrás somente do Irã (-40) e de Botsuana (-23).

Em relação ao Coeficiente de Gini (2010-2015) – instrumento que mede o grau de concentração de renda em determinado grupo e aponta a diferença entre os rendimentos dos mais pobres e dos mais ricos – o Brasil é o quarto pior da América Latina e Caribe, atrás do Haiti, Colômbia e Paraguai.

 Gênero

O relatório 2016 detalha também a realidade das mulheres brasileiras, desagregando o IDH por gênero e avaliando saúde reprodutiva, empoderamento e atividade econômica feminina.

No Brasil, o IDH dos homens fica em 0,751 e o das mulheres em 0,754, o que reflete melhor desempenho educacional e longevidade do segundo grupo. No entanto, apesar do maior nível educacional das mulheres, os homens ainda têm um indicador de renda significativamente mais alto (66,2%).

Já o Índice de Desigualdade de Gênero, por sua vez, avalia desigualdades em três dimensões sensíveis à questão de gênero: saúde reprodutiva, empoderamento e atividade econômica. Nesse indicador, o Brasil está na metade mais mal avaliada  de 159 países. Com valor de 0,414, ocupa a 92ª posição.

Apesar de todos os desafios para fazer esse salto qualitativo no desenvolvimento humano, o mundo sabe e tem os recursos necessário para incluir que foram as pessoas deixadas para trás. “Reafirmamos que o desenvolvimento humano para todos é possível. Podemos construir sobre o que já foi feito e ainda explorar novas possibilidades. Se houver comprometimento dos Estados, dos mercados e da sociedade civil podemos alcançar resultados expressivos em pouco tempo”, ressalta Niky Fabiancic.

Leia a íntegra do IDH 2015

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