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A Educação Especial no Brasil. Qual é a história?

Educação especial – Bem longe da perfeição, mas ainda assim caminhando e avançando a passos lentos. Este é o retrato que especialistas brasileiros em educação inclusiva avaliam o movimento e compromisso do Brasil com a “Educação para Todos” nos últimos 20 anos.

Em 94, o Brasil e outros 87 governos reafirmaram o compromisso com a educação inclusiva na Conferência Mundial de Educação Especial da ONU, com a Declaração de Salamanca.  Em 2009, o MEC lançou a Resolução Nº 4, DE 2 DE OUTUBRO, indicando a obrigatoriedade da matrícula de crianças com necessidades educacionais nas escolas regulares. E depois, em 2015, a Lei Brasileira de Inclusão também determinou como crime as escolas que recusarem receber uma criança.

A legislação para a educação inclusiva avançou bastante nos últimos anos, porém, grande parte das escolas regulares não sabe lidar com os casos de inclusão. Para os especialistas que atuam na área, a causa do descompasso é por conta da defasagem na formação do professor, que gera impactos muito negativos na educação básica.

Membro do Conselho Estadual de Educação, Sylvia Gouvêa, defende a introdução de uma disciplina que forme o professor apto para lidar com a diversidade em todos os cursos de licenciatura das universidades públicas. “Se a legislação exige que as escolas atendam a todos, é obrigação dos cursos de licenciatura garantir que o futuro professor esteja apto para exercer bem sua profissão”, diz.

Algumas faculdades privadas que oferecem cursos de licenciatura já estão atentas à necessidade de uma formação que amplie o olhar do futuro professor. O Instituto Singularidades (do Instituto Península), que oferece os cursos de licenciatura em Letras, Pedagogia e Matemática, já introduziu no currículo dos cursos disciplinas que trabalham a compreensão da educação inclusiva.

Para a professora da disciplina de Práticas Inclusivas do curso de Pedagogia do Singularidades, Ângela Di Paolo,  “todo curso de licenciatura deve se preocupar em formar um professor com  olhar atento e  um posicionamento ético e sensível às diferenças; tem de articular a teoria e a prática e lidar com estudos de caso complexos que apresentem desafios para a prática”.

Marta Gonçalves, psicopedagoga e professora do curso de licenciatura em Matemática, do Instituto Singularidades, também compactua da opinião da colega.   “A partir de um olhar sensível, muda-se a prática. Estamos todos construindo a educação inclusiva. Fazemos parte desse processo atuando na escola básica ou no ensino superior, principalmente na formação de novos professores”. diz.

Com muita experiência em aprendizagem mediada, a psicopedagoga e diretora do Centro de Estudos Seminários de Psicopedagogia, Edith Rubinstein, colabora com a formação continuada de professores e psicopedagogos das escolas regulares através do Grupo de Estudos de Práticas Psicopedagógicas – na clínica e na escola – que acontece quinzenalmente neste primeiro semestre. “Discutimos as teorias e as práticas e depois, cada professor apresenta estudo de caso que será analisado por todos”, conta Rubinstein. Segundo ela,  com a legislação vigente é obrigação das escolas regulares a capacitação de todo corpo docente para atender e garantir o desenvolvimento educacional e integral de todos os seus alunos.

Já a especialista em educação inclusiva, Nivea Fabrício,  diretora do Colégio Graphein (uma das primeiras escolas a oferecer a educação aos alunos que não se adequam às escolas padrão) e presidente da ANDEA – Associação Nacional da Dificuldade de Ensino e Aprendizagem, está sendo procurada pelas faculdades que têm, entre seus alunos, àqueles com singularidades específicas. “As faculdades me procuram para dar cursos de formação aos seus docentes, para que possam identificar especificidades e cuidar do desenvolvimento de aprendizagem de todos os alunos”, conta.  As universidades Mackenzie e FAAP foram algumas que procuraram a ajuda da profissional.

A ANDEA  realiza o II Congresso Internacional e VII Congresso Nacional de Dificuldades de Ensino e Aprendizagem nos dias 31/05 a 03/06 de 2017. Consulte a programação no link http://congresso2017.andea.org/index.php

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