Educação integral ainda é incipiente no Brasil - CGC Comunicação em Educação
  by /0 comments

Educação integral ainda é incipiente no Brasil

Dos 2 mil municípios que responderam a uma pesquisa, 23,7% desenvolvem algum tipo de experiência que atinge 1,1 milhão de alunos.
A jornada ampliada nas escolas públicas brasileira atinge poucos alunos, apresenta grande desigualdade regional e é uma prática muito recente, revela uma pesquisa encomendada pelo Ministério da Educação (MEC) a universidades federais, publicada no último dia 12.

Dos 2 mil municípios que responderam ao estudo, 23,7% desenvolvem algum tipo de experiência que atinge 1,1 milhão de alunos, informa a Agência Brasil. O Censo da Educação Básica de 2009 contou 45 milhões de alunos matriculados na rede pública.

A chamada educação integral está mais presente nas regiões Sudeste (37%) e Sul (25%). Já na Região Norte, apenas 3% têm atividades no contraturno. O Nordeste tem 21,4% das escolas com jornada ampliada e Centro-Oeste, 13%.

Com relação aos estados, o Rio de Janeiro tem o maior percentual (53,1%), seguido de Ceará (41,5%) e Minas Gerais (39,6%). Com menores índices aparecem Amazonas (2,5%), Pará (4,2%) e Tocantins (4,9%). Municípios do Acre, Amapá, Rondônia e Roraima não relataram a existência de educação integral em suas escolas. Em média, a jornada passa de quatro para sete horas diárias.

A pesquisa Educação Integral/Educação Integrada e Tempo Integral: Concepções, Práticas na Educação Brasileira revela que os esportes representam 65% das experiências registradas pelos municípios. As outras atividades são aulas de reforço (61,7%), música (57,1%), dança (54%), teatro (46,4%) e informática (45,6%).

O estudo aponta que 39% realizam a experiência a menos de um ano. “A educação em tempo integral no Brasil faz parte da história mais recente da educação brasileira”, afirmou o presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Carlos Eduardo Sanches, à agência de notícias do governo federal.

Para ele, as principais dificuldades dos municípios para implantar a educação integral são orçamentárias e de infraestrutura. “Nós calculamos que uma criança em tempo integral exige um investimento 70% superior àquela que só permanece na escola por um turno”, afirmou.

Na opinião de Leandro Fialho, da diretoria de educação integral do MEC, um dos principais problemas é a infraestrutura. “Falta uma infraestrutura geral nas escolas brasileiras. Muitas não têm refeitórios adequados, não têm quadras cobertas, não têm banheiros com chuveiros e isso é essencial para a jornada ampliada”, disse.

A superintendente do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), Maria do Carmo Brant de Carvalho, disse ao movimento Todos pela Educação que “há muita fragilidade e superficialidade na introdução da educação integral no Brasil”.

Ela desconfia que 76,4% das experiências de ampliação da jornada escolar estejam integradas ao projeto pedagógico das escolas, como mostra o estudo. “É preciso que haja uma intencionalidade pedagógica muito clara. Se as ‘atividades extracurriculares’ não conversarem com as disciplina formais, não é educação integral”, afirmou.

Segundo o MEC, a educação integral estará consolidada no Brasil em até 20 anos. Hoje o principal programa do ministério para apoiar as iniciativas dos municípios é o Mais Educação que atende 10 mil escolas. “Não chegamos a 10% das escolas ainda, mas a expectativa é muito positiva, o programa cresceu muito. Em 2008 o orçamento era de R$ 45 milhões e em 2010 será de R$ 350 milhões”, disse o representante do MEC à Agência Brasil.

A pesquisa foi desenvolvida em 2008 pela Universidade de Brasília (UnB) e pelas universidades federais do Paraná (UFPR), de Minas Gerais (UFMG) e do Rio de Janeiro (UniRio). As instituições enviaram questionários às redes públicas dos 5.563 municípios do país — 2.112 responderam e 500 informaram a oferta de educação integral. Os dados foram analisados em 2009.купить смартфонwobs.uaжелезная дорога купить киев