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Educação: menos diagnóstico e mais proposta

Nunca se produziu tantos estudos e estatísticas sobre o desempenho da educação brasileira. Mas, ao contrário dos discursos e das pesquisas elaboradas, as relações entre escolas, educadores e alunos continuam as mesmas: sem um projeto consistente para retirar a educação brasileira do atraso.

Os diagnósticos pululam em progressão geométrica, financiadas por instituições públicas e privadas, mas nem mesmo o governo federal, por meio do Ministério da Educação e Cultura (MEC), tem uma proposta clara sobre o modelo de educação que pretende colocar em prática em cada etapa de ensino.

A educação vive um dilema que é quase uma escolha de Sofia, decidir de que forma pretende investir os amplos recursos à disposição, onde concentrar mais verba e por que e como gerir e administrar esse dinheiro. O livro trata de um dilema moral, enquanto na educação brasileira o caso envolve problemas de gestão e de falta de um plano nacional para o setor.

No livro de William Styron, uma prisioneira polonesa em Auschwitz recebe um “presente” dos nazistas: ela pode escolher, entre o filho e a filha, qual será executado e qual deverá ser poupado. Escolhe salvar o menino, que é mais forte e tem mais chances na vida, mas nunca mais tem notícias dele. Atormentada com a decisão, Sofia acaba se matando anos depois.

Plano Nacional de Educação

No caso brasileiro, a meta do PNE (Plano Nacional de Educação) é investir 10% do Produto Interno Bruto (PIB) em educação até 2024. Nenhum outro país coloca tanto dinheiro na área. Mas o Brasil tem a educação típica de um país que tem metade da renda per capita brasileira. Está 25 anos atrás do Chile e tem apenas metade dos jovens cursando o ensino médio na idade certa. São problemas graves.

Então, se pedirem 10% do PIB para mexer na educação, acredito que a sociedade brasileira está de acordo. No entanto ela exige mais. Ela pretende que recursos sejam oferecidos com instrumentos vigorosos de controle e sob a condição de garantir que a situação mudará, com um plano sério, bem explicado e com metas anuais a serem atingidas.

Como afirmei no início do texto, temos que sair da etapa do mero diagnóstico e partir para a ação. A falta de proposta é o cerne da questão. É preciso estudar modelos que deram certos em outros países e até em escolas brasileiras. Ter nossa opinião para o Ensino Fundamental, para o Ensino Médio e para o Ensino Superior.

Hoje a pauta é sempre reativa, ninguém tem sido propositivo em educação. O que chama a atenção é a falta de criatividade de educadores e especialistas para apresentar propostas concretas no universo dos estudos de educação.

Por Gilberto Alvarez, diretor do Cursinho da Poli e presidente da fundação PoliSaber

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