by

Empreendedorismo já é ensinado em 190 escolas de São Paulo

folha051015

O programa do Sebrae-SP para jovens empreendedores no ensino fundamental é adotado hoje em 190 escolas do Estado de São Paulo, totalizando 26 mil alunos. O Sebrae oferece cursos gratuitos de capacitação para os professores e material didático aos estudantes de todos os anos do ensino fundamental, informa o jornal Folha de S. Paulo desta segunda-feira, dia 5.

A repórter Natália Portinari conversou com duas escolas, dois especialistas e relata o caso de uma rede municipal que trabalha o tema.

Visão social

No currículo das escolas municipais de São José dos Campos, em São Paulo, desde 2013, foram adotadas aulas de educação do consumidor e fiscal, além de turismo. Os estudantes produzem projetos turísticos para a cidade, em uma ação que visa ainda a integração com o espaço público.

“A visão social do empreendedorismo fomenta o sentimento de pertencimento e cria formas de melhorar a vida das pessoas”, afirmou Roseli Ferreira, de 55 anos, que coordena o ensino profissionalizante da prefeitura.

O colégio Guilherme Dumont Villares (GDV), no Jardim Londrina, na zona oeste, foi o primeiro de São Paulo a adotar o programa do Sebrae. Os estudantes interessados montam planos de negócios, desenvolvem produtos e, no fim do ano, participam de uma feira.

Empreendedorismo Pet shop

O aluno Luiggi Iamamoto de Camargo, de 17 anos, decidiu abrir um pet shop junto com seu tio ao notar uma demanda não atendida por ração de cachorro no bairro onde mora, o Jardim Monte Kemel, na zona oeste.

Para planejar o negócio, o adolescente se baseou nas aulas de empreendedorismo. “Aprendi a me relacionar com o cliente, a fazer a parte do marketing e contabilidade. É bom ser empreendedor porque posso criar o perfil que quiser para o estabelecimento”, disse ao jornal.

A consultora de marketing Polyana Giardino, de 32 anos, conta que a ensina a montar um site, trabalhar a rede de relacionamento, gestão, finanças. “Além disso, acompanhamos como estão os negócios de cada um”, disse a professora. A partir do ano que vem, a aula será obrigatória no currículo da escola.

Ensino técnico

No Liceu de Artes e Ofícios, no Centro, há uma disciplina obrigatória de empreendedorismo no terceiro ano desde 2009, que integra o curso técnico. Os alunos desenvolvem projetos com clientes da área de telefonia, automóveis e produtos editoriais.

O jornal relata que em escolas técnicas é comum que alunos aprendam conceitos de contabilidade e administração e isso tem se estendido cada vez mais a escolas com currículo regular.

A reportagem informa que o Anglo 21 anunciou que o empreendedorismo será uma prioridade no currículo em 2016 na unidade do Alto da Boa Vista, na zona sul. “É bom para desenvolver um senso de propósito nas crianças”, disse o diretor Marcel Lima, 37.

Para o professor de administração da Fundação Getulio Vargas Gilberto Sarfati, 43, o objetivo de ensinar a empreender desde cedo não é necessariamente que os alunos abram negócios e sim desenvolver o senso de responsabilidade. “É uma oportunidade para a escola não ficar contida nela mesma e ensinar os jovens a resolver problemas de forma autônoma.”

Para Neide Saisi, 73, pedagoga e professora de educação da PUC-SP, essas iniciativas não devem ser o foco da formação do aluno. “O sucesso profissional não pode ser o objetivo final, e sim ensinar o adolescente a ser crítico e ético”, ensina.

Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on TwitterEmail this to someone