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Encurtando o caminho da diferença

Alunos de escola particular fazem vaquinha para trazer para São Paulo colegas de escola pública quilombola

Entender sobre o uso sustentável da terra e conhecer os aspectos culturais que envolvem uma comunidade quilombola é parte dos conhecimentos adquiridos pelos alunos da Escola Lourenço Castanho – 8º ano – na viagem de estudo do meio para a região do Vale do Ribeira.

Agora, nessa quinta feira, 9 de novembro, é a vez dos alunos da escola quilombola Maria Antonia Chules Princesa, da região de Ivaporanduva, virem para São Paulo e ampliarem sues conhecimentos. Eles realizarão um trabalho de campo durante 3 dias, acompanhados dos alunos da Lourenço, e também conhecerão pontos turísticos da cidade.

Para viabilizar a vinda dos colegas quilombolas, os alunos do 8o ano da Lourenço criaram uma campanha de financiamento coletivo visando trazer para a capital 34 alunos e três professores da escola, no interior paulista.

“Essa viagem para o Vale do Ribeira ocorre há muito tempo, e 5 anos atrás a turma do 8o ano se mobilizou para trazer os colegas quilombolas para São Paulo”, conta Antonio Sérgio Pfleger, diretor do Fundamental II da Lourenço.  Desde então, é tradição na escola os próprios alunos organizarem a campanha de financiamento para custear algumas das despesas da viagem, como transporte, alimentação e hospedagem dos colegas do quilombo. 

A meta da vaquinha era arrecadar R$ 8,5 mil, e já foi batida. Até a tarde dessa quarta feira, dia 08, R$8.907 já haviam sido arrecadados – Foram 48 apoiadores. Conheça o projeto neste link: https://benfeitoria.com/LCCHULES2017.

“O importante neste projeto é o intercâmbio mútuo de experiências. No fundo, os alunos veem que há mais semelhanças do que diferenças, eles têm os mesmos gostos musicais, os mesmos sonhos”, reflete Antonio Sérgio. Entretanto, a integração também agrega aos alunos da Lourenço uma noção melhor sobre a educação pública e a vida rural, o que é muito importante aos olhos do diretor.

“Entendemos muito mais sobre o uso sustentável das terras e tivemos a chance de vivenciar um modo de vida que se baseia na cooperatividade, para que possam viver em harmonia com o ambiente rico em biodiversidade que os rodeia”, conta a aluna Giovanna Wilberg da Lourenço Castanho.

Como o projeto se propõe a ser uma troca, não poderia faltar uma viagem dos quilombolas para também conhecer uma cidade e um modo de vida muito diferente dos seus. E o momento é bastante aguardado pelos alunos da comunidade.

“Estou ansiosa para ver como é a rotina em São Paulo, vivenciar experiências novas e conhecer essa cultura tão diferente”, conta a aluna Ingrid, do 8o ano da Escola Estadual Maria Antonia Chules. Assim como na Lourenço, este intercâmbio é esperado pelos alunos quilombolas desde as séries anteriores. “Os alunos mais novos não vêem a hora de vir para São Paulo”, revela a menina.

Além da parte pedagógica na Lourenço, eles conhecerão diversos pontos turísticos e culturais de São Paulo, como o Parque Ibirapuera, o MASP, a Avenida Paulista e cinemas.

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