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Ensino Híbrido: dividir, diversificar e personalizar

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Ter alunos com autonomia sobre o  próprio aprendizado, trabalhando  de forma colaborativa e, assim, aprendendo mais. Ter professores saindo voluntariamente da sua zona de conforto, repensando os papeis dentro da escola  e, também, colaborando uns com os outros. Em pouco tempo, esses resultados foram alcançados no colégio paulistano Elvira Brandão, graças à adoção do conjunto de metodologias chamadas de Ensino Híbrido.

Embora não exista uma definição única do que seja o Ensino Híbrido, o termo inspirado no inglês blended learning costuma designar um arcabouço de metodologias que levam o professor a variar suas estratégias didáticas, de forma a oferecer diferentes oportunidades de aprendizagem. E, é claro, ele costuma envolver a tecnologia. Mas os recursos tecnológicos estão inseridos de forma integrada ao currículo, em geral para permitir a personalização do ensino: o professor consegue dados sobre o desempenho de cada um e, assim, pode intervir de forma precisa e rápida para permitir que todos aprendam.

Celise Correia, coordenadora pedagógica da instituição, descobriu sobre as possibilidades do Ensino Híbrido em junho do ano passado. “O colégio estava com uma nova proposta de inovação, reestruturando o uso das avaliações. A metodologia se casava com os nossos objetivos. Assim, apresentei uma proposta para o grupo gestor, que logo aprovou”. contou.

Hoje, o colégio conta com uma rede interna de formação para o Ensino Híbrido, para professores desde o ensino fundamental 1 até o ensino médio. “Alguns professores me procuram para um atendimento individual, pensamos no plano de aula conjuntamente. Também formamos um grupo de estudos semanal”, disse Celise. Para além de mexer com as configurações das classes, com a estrutura da sala de aula, o Ensino Híbrido está provocando uma mudança da cultura.

“Às vezes temos metade da turma na biblioteca, metade na sala; já vimos o 2o e 3o anos trabalhando juntos. Até reunião de pais já fizemos com o modelo de rotação por estações”, relata Celise. Rotação por estação é uma das estratégias metodológicas do o Ensino Híbrido.

Ensino Híbrido e recursos tecnológicos

Lilian Bacich, consultora do Instituto Península, pesquisadora do Ensino Híbrido e palestrante da Bett Brasil Educar, explica que o Ensino Híbrido tem como base oferecer diferentes meios para ensinar e aprender; a tecnologia vem para ajudar nisso. “O ensino híbrido valoriza a estratégia de uso da tecnologia, voltada à personalização”, afirmou.

Portanto, a quantidade e o tipo de recursos tecnológicos ficam em segundo plano. “O mais importante é a metodologia. O foco está no professor – e não no material, nem na infraestrutura. É o docente que pode colocar a tecnologia integrada ao currículo, com a vantagem de conseguir aproveitar o que tem disponível, ainda que a escola disponha de poucos recursos”, explicou a pesquisadora. No Elvira Brandão, muitas vezes o alunos usam seus próprios celulares.

Assim como não exige gastos exagerados com a infraestrutura, o ensino híbrido tampouco veio para desmontar tudo o que existe; a ideia é somar. “A escola, no Brasil, valoriza bastante o livro didático, e ele pode continuar sendo amplamente usado em sala de aula”, disse Lilian. Enquanto um grupo pesquisa no computador, outro pode discutir um texto do livro, por exemplo.”A ideia é oferecer diferentes recursos, entendendo que os alunos não aprendem todos da mesma maneira e que, variando as abordagens, é possível aproximar-se da melhor forma de aprender de cada um.”

Segundo a consultora do Instituto Península, a visão pedagógica de base para o ensino híbrido é a aprendizagem colaborativa: aprendemos com o outro. E esse “outro” não precisa ser só o professor; deve ser o colega de classe também. Conforme a criança vai crescendo, ela consegue aproveitar cada vez mais os agrupamentos no aprendizado.

Apesar de ser uma ideia bastante inovadora nos ensino básico e fundamental, algumas modalidades do ensino híbrido já estão bastante difundidas no Brasil, como é o caso dos cursos de nível superior em EaD (ensino a distância). Eles têm partes online e partes presenciais – uma exigência do MEC. Portanto, eles variam as estratégias didáticas. E até os cantinhos temáticos, comuns na educação infantil, compartilham do mesmo princípio, ao ofertar diferentes formas de aprendizado na sala de aula.

E essa inovação tem o potencial de ser usada com sucesso em muitas escolas, como está acontecendo no Elvira Brandão. Lilian e um grupo de educadores vão apresentar os resultados de seus estudos sobre o ensino híbrido, realizados em várias escolas, em três palestras no Congresso da Bett Brasil Educar deste ano. Para conferir a programação, entre no site bettbrasileducar.com.br .

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