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Escola do Rio filma atuação de professores em sala de aula

O colégio Pensi, com várias unidades no Rio de Janeiro, está filmando os professores darem aula para, segundo a direção, aperfeiçoar desempenho deles. Reportagem do jornal O Globo informa que o sindicato dos professores é contra a medida.

 

O projeto é inspirado na fundação norte-americana Bill e Melinda Gates, que iniciou este trabalho no começo da década e foi chamado de “caça as bruxas” por sindicatos do EUA. O jornal cita ainda uma iniciativa similar em São Paulo, mas não informa quais escolas estão com este trabalho.

 Professores da própria escola

A rede de escolas carioca criou a plataforma “Aprimora”, onde as aulas filmadas são analisadas por professores da própria escola. O diretor de ensino da instituição, Fábio Oliveira, garante o projeto tem o apoio dos professores. “Em um primeiro momento acharam que estávamos avaliando os professores, buscando erros que poderiam prejudicá-los no futuro. Não é isso. O “Aprimora” veio para atender uma demanda da sala dos professores“, disse ao jornal.

 

A reportagem ouviu o professor de filosofia Davidson Oliveira: “No início, achei que era uma avaliação onde procurariam problemas na minha aula que poderiam me comprometer no futuro. A partir do momento que você pega o feedback dado pelos outros professores, o coloca em prática e vê que dá muito certo, percebe a importância dessa troca”.

Culpar o professor

A coordenadora do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio (Sepe-RJ), Suzana Gutierrez, diz que filmar o trabalho do professor em sala de aula é uma maneira de culpar o professor pelo fracasso do sistema. “Mais uma vez a discussão sobre o fracasso do sistema educacional cai em cima do professor. É o discurso de culpabilização dos professores que surge quando é preciso avaliar vários elementos, como os aspectos sociais, culturais e o ambiente de trabalho, por exemplo”, afirmou ao O Globo

 

Ela defende a avaliação do professor, mas destaca que sua prática não pode sofrer interferência. “Quando você filma, está vigiando. Você quebra a relação que existe entre o professor e o aluno. Não pode existir essa interferência. Além disso, não há um modelo correto de aula. Ela se adapta a cada realidade e ao projeto do colégio. O aluno de Pedra de Guaratiba é diferente do aluno do Leblon ou da Rocinha, logo o ensino também deve ser diferente. Não tem como avaliar o progresso da prática docente desta forma”, disse.

 

O colégio afirma que somente professores voluntários participam e que não há penalidade para aqueles que se negam.

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