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Escolas cobram boletim de avaliação do Enem

MEC não envia mais os boletins que mostravam o desempenho dos alunos. Escolas dizem que o Enem perdeu a função de avaliação

Depois que o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) foi transformado em vestibular, em 2009, as escolas deixaram de receber os boletins que mostravam o desempenho dos alunos, informa o jornal O Estado de S. Paulo.

Diretores de escolas ouvidos pelo repórter Paulo Saldaña dizem que o Enem perdeu a função de avaliação, já que as escolas não têm mais como usar o resultado para melhorar os cursos. O boletim trazia o desempenho dos alunos nas cinco competências da prova objetiva e nas variáveis que compõem a redação.

O diretor do Colégio Equipe, Luis Marcio Barbosa, afirmou que o boletim oferecia várias possibilidades de uso pedagógico. “Podíamos levantar mais hipóteses, ver que em uma determinada habilidade os alunos foram melhores que em outras, que precisamos trabalhar melhor o texto argumentativo, a análise de interpretação de gráficos. Coisas que apenas uma média da escola não proporciona.”

Hoje, o Ministério da Educação divulga apenas a média das escolas nas notas das provas objetivas – levando em conta a correção pela Teoria de Resposta ao Item (TRI) – e na redação. “Com essa informação, só consigo ver a média da minha escola e saber se está em primeiro, décimo ou último. Mas, do ponto de vista de interferência pedagógica, é limitado”, disse a diretora do Colégio Móbile, Maria Helena Bresser.

Ela afirmou a O Estado de S. Paulo que a TRI é importante para a escola analisar cada questão da prova. “Podíamos ver qual questão teve mais erro na escola e pensar, por exemplo, se meus alunos não sabem analisar gráficos,” disse Maria Helena.

Para a diretora do Colégio Sidarta, Claudia Siqueira, a falta do boletim e de mais informações dificulta. “A escola trabalha com conteúdo e existe essa diferença com instrumentos avaliativos, como o Enem colocou”, disse.

Segundo a diretora do Albert Sabin, Gisele Magnossão, a TRI dificulta a comparação dos resultados “A gente não sabe dizer se eles foram melhor de um ano para o outro. Antigamente a gente conseguia.”

O professor da USP Ocimar Alavarse disse que “para as Escolas, os boletins podem ser importantes porque oferecem uma leitura em escala, mas para os alunos não faz muito sentido.”

A reportagem informa que o MEC está “estudando novas formas de auxiliar as escolas em seus processos de análise e avaliação dos resultados”.

O jornal noticia ainda que as escolas tem dificuldades em analisar os chamados “microdados” do Enem, um conjunto de informações que analisa vários aspectos da prova, como os acertos por questão dos candidatos.

O MEC diz que os dados auxiliam as instituições em seu processo de avaliação, mas, relata O Estado de S. Paulo, poucas escolas conseguem utilizá-lo. Além de ser muito grande, o arquivo equivale a 5 bilhões de letras, é necessário conhecimento em estatística.

A escola estadual Carlos Cattony, de Parelheiros, zona sul de São Paulo, teve uma boa nota no Enem 2010, trabalha no plano de gestão e fez por conta própria uma pesquisa para basear mudanças. “Se tivéssemos essas informações (dos microdados), ajudaria para facilitar os planos da escola. Temos de conhecer para atuar”, informou a direção da escola.

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