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Está sobrando vaga para formar professor em universidade pública

Cerca de 4,5 mil vagas não foram preenchidas em 2008, informa o jornal Folha de S. Paulo

Cerca de 4,5 mil vagas dos cursos de formação de professores em instituições públicas de ensino superior não foram preenchidas em 2008, de acordo com o Censo da Educação Superior.

Segundo o jornal Folha de S. Paulo, o número representa 6% das vagas disponibilizadas para o primeiro ano de pedagogia e licenciaturas em universidades e centros tecnológicos federais e estaduais. Nos demais cursoss, esse percentual é de 3,5%

A baixa concorrência no vestibular e a desvalorização do magistério são as principais causas da sobra de vagas, de acordo com especialistas ouvidos pela repórter Angela Pinho.

O jornal relata o caso da Universidade Federal de Goiás, onde das 40 vagas para licenciatura em física no campus de Jataí, apenas 6 foram ocupadas em 2008..”É desanimador”, afirmou o coordenador do curso, Henrique Almeida Fernandes. “A gente se prepara tanto tempo para dar aula e chega lá e vê uma turma com poucos alunos que já chega desmotivada com a perspectiva profissional”.

O professor da Universidade Federal de Pernambuco e presidente do movimento Todos pela Educação, Mozart Neves Ramos, disse que há dificuldade de formar profissionais qualificados e as instituições não conseguem atrair os melhores alunos. Segundo ele, na UFPE a nota mínima no vestibular para um aluno de medicina é de 8,29 pontos, em uma escala de 0 a 10. Para professor de matemática, ela é de 3,29.

O pró-reitor de graduação da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Henrique Mongelli, afirma que terá que analisar se ainda há demanda em cursos em que sobram vagas em cidades pequenas.

A secretária de Educação Superior do Ministério da Educação, Maria Paula Dallari Bucci, reconhece que a carreira está desvalorizada e promete melhorar a situação com o piso salarial do professor e a lei que permite ao aluno de universidade particular ter o curso pago pelo Estado em troca de trabalho em escolas públicas depois de formado. Ela acredita que a unificação do vestibular de diversas universidades federais através do novo Enem também poderá reduzir a sobra de vagas.

O pesquisador da Unesp e membro do Conselho de Educação do Estado de São Paulo, João Cardoso Palma Filho, disse ao repórter Fábio Takahashi que a “situação é tão ruim que nem vaga gratuita o pessoal quer”. Na opinião dele, a carreira do magistério não atrai o jovem. “Ele vê notícias de que a profissão está ruim, os professores ganham mal. O próprio professor dele reclama, os sindicatos criticam as condições de trabalho. Com esse panorama, que em geral é real, o estudante não se sente atraído para a área”, disse à Folha de S. Paulo.

Ele defende como solução no curto prazo a concessão de incentivos aos alunos. “Podem ser bolsas de estudos, recursos para alojamento, alimentação, materiais. Mesmo nas universidades públicas, em que os cursos são gratuitos, os alunos precisam de dinheiro para se manter”, disse.

Palma Filho defende também uma mudança nos cursos, principalmente nas licenciaturas. “Há muita carga teórica e específica daquela matéria, mas pouco aprendizado de como transmitir os conhecimentos”, afirmou.

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