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Estudo defende interdisciplinaridade na formação de professores de ciências

Uma das soluções apontadas é o rompimento do vínculo bacharelado-licenciatura, no qual o estudante ingressa em um curso de bacharelado e completa sua formação com disciplinas da licenciatura

Um estudo realizado na Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP Leste defende o uso da interdisciplinaridade e da disciplina Resolução de Problemas na formação de professores de ciências na educação básica, informa reportagem de Alex Sander Alcântara, da Agência Fapesp.

Segundo as pesquisadoras Silvana Santos, do Centro de Estudos do Genoma Humano, Instituto de Biociências da USP, e Maria Elena Infante-Malachias, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP, muitos docentes de ciências do ensino básico vivem situações de constrangimento por ter que ensinar disciplinas para as quais não foram preparados. A pesquisa analisou o currículo do curso Licenciatura em Ciências da Natureza da EACH e foi publicado na revista Educação & Sociedade.

As autoras da pesquisa dizem que o curso da EACH oferece uma visão abrangente e integrada das ciências da natureza e da matemática, “contribuindo para adequar a grade curricular à formação do professor de ciências”. O curso forma professores para ensinar, além de ciências naturais, conteúdos como física, biologia, química, astronomia, geologia e matemática.

Na opinião das pesquisadoras, a formação do professor de ciências se tornou mais complexa e uma disciplina rigorosa impede uma visão mais ampla sobre a natureza do conhecimento. “Uma análise qualitativa parcial indica que a ciência é absolutamente carente de sentido para os alunos. Nós, professores de ciências, pela nossa formação, acabamos tornando o conhecimento pouco atraente e esquecemos de mostrar os aspectos humanos, sociais, culturais, históricos e políticos da construção desse conhecimento”, disse Maria Elena à Agência Fapesp.

Uma das soluções apontadas para melhorar a formação inicial dos professores de ciências foi o rompimento do vínculo bacharelado-licenciatura, que começou em 2001, com a instituição das Diretrizes Curriculares Nacionais. Com isso, as instituições de ensino superior conseguem autonomia para elaborar seus projetos pedagógicos. “Para atuar como professor, o estudante ingressava em um curso de bacharelado, completando sua formação com disciplinas da licenciatura, oferecidas pela Faculdade de Educação”, afirma Maria Elena.

Com a mudança, também adotada pela USP em 2005, é possível organizar o curso em torno das competências profissionais e criar eixos articuladores, como o da interdisciplinaridade, em vez da tradicional relação de disciplinas.

Maria Elena critica ainda a falta de discussão sobre a interdisciplinaridade nos currículos e diz que ainda falta definição de um eixo articulador. “Antes de definir um eixo articulador – que é muito importante –, falta uma discussão aprofundada sobre o conceito de interdisciplinaridade. Se não há um consenso na literatura especializada, seria oportuna uma reflexão e recriação do conceito por parte dos profissionais que participam de uma proposta ou de um curso de formação de professores, claro que de acordo com o contexto e com a realidade”, afirmou ela à Agência Fapesp.

Ela destaca ainda ser equívoco confundir a interdisciplinaridade com uma formação mais generalista. “A interdisciplinaridade concebida como processo de construção de conhecimento e no caso da ciência não apenas de ciências, senão sobre a ciência, colaboraria para desmontar a visão positivista e ajudaria a compreender o processo de construção social, com algumas importantes conseqüências para a cidadania também. Precisamos formar profissionais especializados em pensar por si mesmos”, disse.

Resolvendo problemas

O estudo analisou também a introdução da disciplina Resolução de Problemas (RP) no currículo do curso de formação de professores da EACH. “A organização dessas disciplinas mostra uma preocupação evidente para que os alunos entrem em contato com os conhecimentos, a linguagem e a maneira de ver o mundo a partir de diferentes campos do conhecimento, e isso ocorre antes de cursar as disciplinas específicas do seu curso”, disse Maria Elena.

Na opinião dela, esta disciplina confere ao o docente um papel de tutor, no qual ele “orienta os alunos que, em pequenos grupos, trabalham tentando responder perguntas que exigem organização e colaboração”. A pesquisadora diz ainda que essa prática é ” uma metodologia ativa, na qual o aluno assume responsabilidades e se torna um sujeito ativo”.

Leia a reportagem da Agência Fapesp

Leia a íntegra do estudo Interdisciplinaridade e resolução de problemas: algumas questões para quem forma futuros professores de ciências

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