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Formandos em medicina serão obrigados a fazer prova em São Paulo

O Estado de S. Paulo noticia que o Conselho Regional de Medicina exigirá o comprovante para aprovar o registro de médico, mas mesmo com nota zero o formando terá o documento

Os formandos de medicina do Estado de São Paulo serão obrigados a fazer uma prova no final do 6º ano do curso, revela o jornal O Estado de S. Paulo. A avaliação será aplicada pelo Conselho Regional de Medicina (Cremesp).

A prova já existe há sete anos, mas era voluntária – 4.821 novos médicos já se submeteram ao exame. No ano passado, 46% dos alunos foram reprovados.

A reportagem de Fernanda Bassette esclarece que o Cremesp exigirá o comprovante de realização da prova para aprovar o registro de médico – mesmo com nota zero ele terá o documento. A prova será individual e apenas o formando receberá a nota.

O Cremesp não tem autonomia para vincular a aprovação na prova à obtenção do registro para o exercício da medicina, como ocorre com a prova da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para os formados em direito. Seria necessário aprovar uma lei no Congresso para mudar esta situação.

O presidente do Sindicado dos Médicos de São Paulo, Cid Carvalhaes, disse que o Cremesp não pode impedir que o recém formado exerça a medicina. “Isso é uma das fragilidades do exame. Se um aluno não quiser se submeter à prova e questionar isso na Justiça, provavelmente ele vai ter o direito de exercer a profissão independentemente do exame”, disse ele ao jornal. Na visão dele, há “possibilidade de que ela (a prova) passe a valer em todo o País existe”.

A proposta de uma avaliação nacional foi apresentada para todos os presidentes de conselhos regionais de medicina do País, em reunião no dia 11. O jornal ouviu três deles.

Dilza Ribeiro, do Acre, vê a avaliação “com simpatia”. “O ensino médico está muito ruim. Mas precisamos ver como aplicar, já que essa prova demanda orçamento”, afirmou.

Nemésio Tomasella de Oliveira, de Tocantins, acha injusto “punir” o médico e sugere uma avaliação nos primeiros anos. “Não descartamos a possibilidade de um dia aplicar esse exame. Mas, definitivamente, essa não é a melhor maneira de combater o ensino ruim. O problema são as escolas que deformam”, afirmou.

Abdon José Murad Neto, do Maranhão, é contra o exame. “É ilegal e uma arbitrariedade. Deixar o aluno estudar seis anos para depois dizer que ele não está preparado para ser médico é uma covardia”, afirmou.

O repórter Paulo Saldanha também entrevistou professores das faculdades de medicina públicas e privadas.

O professor Mario Saad, da Unicamp, defende uma avaliação permanente. “Nem sempre quem responde bem a um teste é quem melhor atende num hospital. O ideal seria existir um mecanismo de avaliação ao final do 2º, do 4º e do 6º anos, incluindo uma avaliação prática e uma prova discursiva”, disse.

O professor Joaquim Edson Vieira, da USP, tem a mesma opinião. “Nossos alunos não faziam a prova quando era voluntária por considerar que esse modelo de exame não contribui para o exame da residência médica, que eles obrigatoriamente fazem quando se formam. Não é questão de ser melhor ou pior. Mas são exames diferentes”, disse.

Bernardino Geraldo Alves Souto, da UFSCar, afirmou que “a proposta é muito inteligente porque mantém o sigilo do aluno, não tem caráter punitivo e fornece os resultados por área para a faculdade”.

O professor Antonio Carlos Lopes, da Unifesp, disse que a decisão “é apenas política”. “Serve de estatística, mas infelizmente não tem validade para impedir o indivíduo de exercer a profissão”, disse.

Para o diretor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa, Valdir Golin, a iniciativa “é corajosa e absolutamente salutar. Faz um diagnóstico. Mas o ideal seria termos algo em todo o Brasil.”

Para a professora Cibele Retele Duch, da Uniara, de Araraquara, é preciso “maturidade” para um exame nacional. “Essa evolução tende a ocorrer, mas assim já vai forçar as instituições a repensarem seu ensino”, afirmou ao jornal.

Henrique George Naufel, da Universidade de Mogi das Cruzes, teme boicote. “Como é obrigatório, mas não é excludente, pode ser que algumas instituições boicotem e prejudiquem o objetivo real do exame”, disse.

O Estado de S. Paulo informa ainda que a Associação Médica Brasileira (AMB) e a Associação Paulista de Medicina (APM) apoiam a prova. Já o Conselho Federal de Medicina (CFM) informa, em nota, concordar com medidas que contribuem e estimulem a avaliação, mas diz não ter um consenso sobre a medida.

O exame será no dia 11 de novembro com 120 questões de múltipla escolha sobre as nove principais áreas da medicina.

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