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IBGE revela grande evasão de EJA; qualificação domina educação profissional

42,7% abandonam a Educação de Jovens e Adultos. Na educação profissional, 80,9% fazem qualificação profissional
Quase 11 milhões de brasileiros estão na Educação de Jovens e Adultos (EJA). Mas a evasão chega a 42,7%. Na educação profissional, dos 6 milhões que frequentam algum curso, 80,9% estão na qualificação profissional. Os dados fazem parte do estudo “Aspectos Complementares da Educação de Jovens e Adultos e Educação Profissional”, realizado pelo IBGE em convênio com o Ministério da Educação e divulgado nesta sexta-feira, dia 22. O trabalho usa dados do da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios de 2007.

De acordo com o estudo, das 141,5 milhões de pessoas no país de 15 anos ou mais, cerca de 10,9 milhões (7,7%) frequentavam algum curso de EJA. 42,7% não concluíram o curso. O principal motivo para o abandono é a incompatibilidade do horário das aulas com o horário de trabalho ou de procurar trabalho (27,9%), seguido pela falta de interesse em fazer o curso (15,6%).

Outros motivos que levaram à desistência dos estudos foram a incompatibilidade do horário das aulas com o dos afazeres domésticos (13,6%), a dificuldade de acompanhar o curso (13,6%), a inexistência de curso próximo à residência (5,5%), a inexistência de curso próximo ao local de trabalho (1,1%), falta de vaga (0,7%) e outro motivo (22,0%).

As razões apontadas pela opção de cursar a EJA e não o ensino regular são retomar os estudos (43,7%), melhores oportunidades de trabalho (19,4%), adiantar os estudos (17,5%) e conseguir diploma (13,7%). A maioria dos estudante de EJA está no segundo segmento do ensino fundamental (5ª a 8ª séries), o que correspondia 40,0%; o ensino médio recebia 36,1% e ensino fundamental (1ª a 4ª séries) 23,9%. A região Nordeste foi a que apresenta o maior percentual de frequência ao primeiro segmento do ensino fundamental (37,6%), o Norte registra o maior no segundo segmento (43,7%,) e as regiões Sul (46,3%) e Centro-Oeste (46,1%) tiveram as maiores proporções no ensino médio.

Mulheres e pobres

Na análise por sexo, do total daqueles que frequentam EJA, 53% são mulheres. Com relação ao rendimento, o maior percentual é daquelas que estavam na faixa de até um quarto do salário mínimo (3%) e as que não tinham rendimento (2,6%). A maioria dos que cursavam EJA era formada por pessoas que se declaravam pardas (47,2%), seguidas por brancas (41,2%), negras (10,5%) e de outra cor ou raça (1,1%).

Em termos regionais, das 10,9 milhões de pessoas que frequentam um curso de EJA, Sul e o Norte apresentam os maiores percentuais: 10,5% e 9,1%. Na sequência, estão as regiões Centro-Oeste (8,5%), Sudeste (7,1%) e Nordeste (6,5%).

A pesquisa indica que 2,5 milhões de pessoas freqüentam cursos de Alfabetização de Jovens e Adultos (AJA) no país. O percentual de pessoas de 15 anos ou mais é de 1,7% no total do país. No nível regional, os alunos de AJA no Nordeste representavam 3,6% das pessoas na faixa etária de 15 anos ou mais.

Dos motivos apontados para fazer um curso de Alfabetização de Jovens e Adultos predominou o objetivo de aprender a ler e escrever (66,0%), seguidos de retomar os estudos (21,8%), conseguir melhores oportunidades de trabalho (7,9%), e outros motivos (4,3%).

De acordo com a Pnad 2007, havia em 2007 14,1 milhões de pessoas com 15 anos ou mais que não sabiam ler ou escrever. O Nordeste concentra mais da metade dos analfabetos do país (7,5 milhões). Educação profissional

Dentre os 6 milhões de pessoas de 10 anos ou mais que freqüentam algum curso de educação profissional, 80,9% estão no segmento da qualificação profissional e 17,6%, em cursos técnicos de nível médio. As mulheres são 55,7% das pessoas que freqüentam um curso de qualificação profissional.

As instituições de ensino vinculadas ao Sistema S atendem 20,6% das pessoas, percentual inferior ao das instituições particulares de ensino (53,1%) e ao de instituições públicas de ensino (22,4%,). No contingente de 90,8 milhões pessoas empregadas no Brasil em 2007, 3,6% frequentavam a educação profissional, enquanto, entre os desocupados o percentual era 7,5%.

O curso de informática é o preferido de 45% das pessoas que cursam educação profissional. Outra área que se destacou foi a de comércio e gestão, com11,5% dos que frequentavam curso de qualificação profissional.

Abandono

A taxa de abandono nesta etapa do ensino chega a 10,2%. Dessas, 25,5% apontaram o problema financeiro como o principal motivo para não concluírem o curso. Outro aspecto para a desistência foi a insatisfação com o curso (18,7% no país).

Daqueles que concluíram o curso, 56,4% trabalhavam em 2007 na área de atuação, e 65,7% destes afirmaram que isso se deveu ao fato de o curso ter o conteúdo necessário ao desempenho do trabalho.

Dentre os que concluíram a qualificação profissional, mas nunca trabalharam na área de formação, 31,1% afirmaram faltarem vagas de trabalho na área e 30,4% não trabalharam por terem encontrado outra oportunidade melhor de trabalho.

Curso técnico

A saúde é a área com a maior proporção dentre os 5,4 milhões de pessoas que frequentam um curso técnico de nível médio (20,2%), seguida da área de indústria (19,0%), gestão (18,0%) e informática (8,9%). As instituições de ensino público são mais presentes no segmento dos cursos técnicos de nível médio, atendendo 43,5% das pessoas

Dentre os que frequentam um curso técnico de nível médio, 55,4% fizeram este curso após a conclusão do ensino médio e 42,4% ao mesmo tempo que o ensino médio.

Dos que frequentam, 50,7% são mulheres. A área mais procurada pelas mulheres é a de saúde (46,1%). Já os homens prefererem a área da indústria (33,0%).

Os problemas financeiros também foram declarados como motivo para a não conclusão do curso de 190 mil pessoas, ou 24,5% das que cursaram; 22,6% não concluíram por insatisfação com o curso.

O IBGE estima em 123 milhões o número de brasileiros que nunca frequentou cursos de educação profissional, sendo 60 milhões homens (48,6%) e 63,7 milhões mulheres (51,4%). . A falta de interesse é o principal motivo para que as pessoas nunca tivessem frequentado um curso de educação profissional.

Triste realidade

Para o gerente da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE, Cimar Averedo, os dados mostram uma “triste realidade”. “A pesquisa deixa claro que a maior barreira que as pessoas enfrentam para se inserir no mercado de trabalho é a baixa qualificação e, no caso dos jovens, isso se dá em grande parte pela falta de recursos. O problema é que no período em que há aumento da desocupação no país, eles [os jovens] tendem a passar para o final da fila”, disse ele à Agência Brasil

De acordo com Cimar, as populações negra e parda enfrentam maior dificuldade de ingressar no mercado de trabalho. “A parcela dos desocupados que nunca fez qualificação profissional é grande e a reboque disso estão as populações preta e parda, que também têm dificuldades de se inserir no mercado de trabalho. Por isso, a sua mobilidade social é mais difícil”, disse.

Na visão dele, a EJA não consegue reverter este quadro. “Num momento em que foram afastados do ensino regular, a educação de jovens e adultos tenta recuperar [o ensino]. Entretanto, por estarem fazendo um processo de educação acelerado, que não é igual ao regular, e sua presença na qualificação ser baixa, isso cria dois cenários: um para a população branca e outro para a parda e preta.”автобазар израильсервис центр hp москваsites with