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Inclusão é coisa séria!

Por Nívea Maria de Carvalho Fabricio *

Temos constantemente verificado a dificuldade enfrentada por famílias na    busca da escola que acolha seu filho com necessidade de atendimento  diferenciado. Educação para todos, aceitação das diferenças, combate ao  bullying são alguns dos temas que envolvem o processo de escolarização dos  alunos com necessidades especiais. Muitas escolas se disponibilizam a atender  crianças e adolescentes com desenvolvimento atípico. Mas, o quanto estão  sendo eficazes?

De acordo com a Declaração de Salamanca (documento da UNESCO em  1994): O princípio fundamental da escola inclusiva consiste em  que todas as pessoas devem aprender juntas, onde quer que isto  seja possível, não importam quais as dificuldades ou diferenças  que possam ter…” Mas, depois de receber alunos de diversos perfis de  desenvolvimento, como é possível incluí-los efetivamente no processo de escolarização? Para garantir que um trabalho pedagógico propicie a aprendizagem de todo o grupo, significa que nem todo o planejamento pedagógico será o mesmo. E viabilizar a aplicação de diferentes planejamentos na mesma sala de aula é um grande desafio para as escolas, mas está é a única opção para a instituição que pretende incluir e contemplar a diversidade.

Inclusão

A escolarização que respeita a singularidade enxerga o educando como parte integrante do grupo classe. O mesmo é trabalhado a partir de um currículo apropriado, que elenca estratégias de ensino diferenciadas, para assim, propiciar a verdadeira INCLUSÃO.

A escola que faz a inclusão de alunos com diferentes particularidades precisa reconhecer e responder às necessidades de cada aluno de maneira singularizada, garantindo que todos tenham educação de qualidade, com currículos apropriados, mudanças organizacionais e estratégias de ensino específicas. A educação inclusiva está distante do que seria ideal, porém, é necessário reconhecer que a busca por um excelente trabalho de inclusão é desafio diário de muitos educadores.

A escola tem que dar conta da formação global do aluno, desenvolvendo suas habilidades e competências. Portanto, a escola que se diz inclusiva só terá uma atuação eficaz à medida que estiver pronta para o trabalho com todos os seus estudantes, independente do desenvolvimento emocional, físico, cognitivo e/ou psíquico estar ou não de acordo com o esperado para a faixa etária. A escola tem que estar capacitada e disponível para tratar com a diversidade e atenta a algumas questões fundamentais.

Grande parte das escolas “tradicionais” é estruturada inicialmente a partir da premissa de que todos os seus alunos aprendem da mesma forma, em um mesmo ritmo. Para essas escolas fazerem a inclusão, é necessário um sistema adaptado, profissionais capacitados e uma comunidade escolar disponível para o trato com a diversidade.

Os estudantes necessitam ser vistos de acordo com sua singularidade, suas possibilidades. Necessitam de uma equipe estruturada para mediá-los no desenvolvimento das questões cognitivas e socioafetivas, ou o desenvolvimento de suas competências. Antigamente, o aluno que não acompanhava o ritmo preestabelecido a partir de um padrão, ou por questões estruturais ou de ordem psicossocial, era simplesmente excluído da educação formal e a questão do mau desempenho era problema do aluno. Ele era o “mau aluno”.

Hoje, a visão mudou. As propostas preveem a necessidade de incluir este aluno que não se adapta ao padrão linear. Políticas governamentais, propostas psicopedagógicas e teorias da educação apontam nesta direção: a educação deve contemplar a todos. Os educadores e a escola trabalham com o objetivo de desenvolver um projeto pedagógico e educacional que atinja a todos os seus alunos.

Mas para que as escolas possam criar um plano pedagógico e educacional “inclusivo” é necessário o conhecimento destes estudantes como indivíduos. Alunos com “modalidades diferenciadas de aprendizagem” necessitam ter suas características identificadas, devem ser conhecidos para que se possa atuar com eles de maneira adequada e incluí-los no processo de escolarização a que têm direito.

Estas ideias se aplicam não só às crianças como algum transtorno definido, mas também às crianças e adolescentes que não conseguem desenvolver-se no processo acadêmico, apresentando dificuldades para aprender, questões comportamentais ou ambas associadas. O problema de aprendizagem é parte de um indivíduo que precisa ser considerado em sua totalidade. Ou seja, precisamos de equipe especializada, com diferentes olhares para a compreensão global. No entanto, é preciso ir além da descoberta de problemas, faltas, dificuldades ou impossibilidades. Devemos descobrir habilidades em potencial, apontar possibilidades e aspectos construtivos, que certamente existem em todos. E desta forma, descobrir as estratégias adequadas de casa um dos alunos e apontar caminhos adequados à sua formação.

Diretora psicopedagógica do Colégio Graphein e presidente da ANDEA – Associação Nacional de Dificuldade de Ensino e Aprendizagem, em São Paulo

 

Este artigo foi publicado originalmente no blog dos Colégios, no portal do jornal O Estado de S. Paulo

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