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Infância e natureza – uma relação ou uma desconexão

“A natureza do brincar é a alegria.
A natureza é seu território primordial.”
(Lydia Hortélio)

Atualmente, muito se fala da importância da relação, da criança, com a natureza e das possibilidades, inesgotáveis, oferecidas pelos cenários naturais.

Porém o que se constata é a ausência desse contato, sobretudo nas grandes cidades. Muitas escolas não possuem área verde e não proporcionam nenhum tipo de convívio com elementos naturais.

Eis o motivo para uma grande reflexão!

É importante e necessário que as escolas busquem e intensifiquem o contato e as possibilidades com espaços naturais. Diante de oportunidades e estímulos as crianças criam condições de aproveitamento de forma simples e espontânea. As crianças brincam!

Através da brincadeira a criança se diverte, investiga, descobre e se encanta com a variedade das cores das flores, com o som da chuva, com os diferentes cantos dos pássaros, com as estações do ano, com o ciclo da água, com o colorido das borboletas… Ela apenas, e da forma mais completa, é capaz de interagir com tudo o que a natureza oferece, sem pedir nada em troca.

Há uma priorização de estímulos para os sons urbanos e tecnológicos como os dos carros, das buzinas, dos jogos nos celulares e tablets.

Há também, em detrimento de possibilidades maravilhosas como apreciar os diferentes sons da natureza, e nesses podemos incluir o do mar, o da chuva, o do vento, o mais atual e intenso estímulo às “caçadas virtuais” que na verdade mais alienam do que agregam.

Em tempos de telas e lentes multicoloridas esquece-se da simplicidade do verde real e muitas vezes tão próximo à visão e ao toque de nossas crianças.

Infância e natureza

É preciso dar a elas a chance de explorar a natureza e seus elementos. Atentos às questões mundiais sobre espécies em extinção ou aquecimento global, por exemplo, acabamos minimizando os pequenos detalhes ou o ensino mais primário sobre a intimidade com o jardim, com os espaços verdes, com as árvores e seus diferentes frutos, e etc.

Como alcançaremos o objetivo de conscientizar a criança, sobre a preservação do planeta, de sensibilizá-la, de envolvê-la, se não começarmos pelo parque da escola, pelo quintal de casa? Necessitamos urgentemente criar situações que a levem à intimidade com os pequenos espaços naturais.

Para essa reflexão me inspirei no livro, “A última criança na natureza”, de Richard Louv, que faz colocações importantíssimas e muito sensíveis sobre o déficit existente, hoje, na relação das crianças com a natureza.

O contato com o mundo natural expõe, direta e indiretamente, as crianças e os jovens a elementos, que só podem ser encontrados ali, e através dos quais estabelecem relações e evoluem. Educadores e famílias são mediadores e responsáveis nessa relação de conhecimento, de sensibilidade e de imersão.

Toda criança é uma pesquisadora nata! Precisamos ajudá-las a se conectarem à natureza dentro e fora de suas fronteiras!

 

Cilene Iatalesi Ferrari
Coordenadora Pedagógica
Educação Infantil da Escola Villare

*  Artigo escrito originalmente no blog da Escola Villare em O Estado de S. Paulo

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