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Jornal mostra experiências com novos modelos de ensino médio

Recente decisão do Conselho Nacional de Educação prevê que esta etapa do ensino seja articulada nas áreas de ciência, trabalho, tecnologia e cultura com o objetivo de tornar a escola mais atraente

Reportagem da Folha de S. Paulo desta segunda-feira, dia 16 de maio, relata como algumas escolas trabalham o ensino médio no momento em que o Conselho Nacional de Educação acaba de aprovar um projeto para flexibilizar esta modalidade de ensino.

O jornal informa que os conteúdos obrigatórios e eletivos devem ser articulados nas áreas de ciência, trabalho, tecnologia e cultura com o objetivo de tornar a escola mais atraente aos jovens. Para entrar em vigor, o projeto ainda precisa da homologação do Ministério da Educação. Ele não é obrigatório e servirá apenas como referência.

A reportagem de Izabela Moi, Marina Mesquita, Fábio Guibu e Denise Menchen relata como está sendo implantado em Pernambuco o projeto “ensino médio inovador” do Ministério da Educação, ouve a opinião de três escolas particulares de São Paulo de quatro especialistas e relata como funciona o ensino médio na Alemanha.

Em Pernambuco, o “ensino médio inovador” está funcionando desde 2010 em 17 escolas estaduais, informa a Secretaria de Educação.

A escola senador João Cleofas de Oliveira, em Vitória de Santo Antão, com 2.070 alunos matriculados, tem 240 estudantes e seis professores integrados ao novo programa do MEC.

A coordenadora do núcleo de tecnologia do colégio, Josely Henriques, disse que a meta é adaptar todo o ensino ao modelo. “O importante é mostrar a eles que existem outras formas de aprender, além do quadrado da sala”, afirmou.

Segundo o jornal, o conteúdo escolhido é a tecnologia, mas são as aulas de teatro e cinema que mais atraem os alunos. Em dois anos de atividades, os estudantes produziram uma peça de teatro e um curta-metragem em vídeo.

O professor Rodrigo Andrade afirmou que “a ideia é que o aluno tenha um olhar mais crítico, que vá além do entretenimento”. O aluno Jefferson dos Santos, de 18 anos, disse que o novo modelo o ajudou na escola. “Antes eu era uma cara morgado. Agora eu aprendi a gostar de ler,” disse.

A reportagem relata também o caso de uma aluna que cuida da qualidade da alimentação. Itália de Lima So, de 16 anos, disse que a mãe voltou a estudar depois que ela conseguiu explicar o que fazia o dia inteiro na escolaa estudar.

A mãe Maria de Lourdes Brito de Lima, 41, que é agricultora, hoje faz parte de um grupo que estuda o aproveitamento de sobras de alimentos, “Voltei a estudar depois de 20 anos porque vi minha filha mais ativa em casa e com melhor aproveitamento escolar”, afirmou.

Em São Paulo, Luis Marcio Barbosa, do colégio Equipe, disse que a divisão em áreas aprova pelo Conselho Naciolan de Educação aponta para a superação da divisão em disciplinas. “Essa fragmentação do conhecimento, distanciada das questões da sociedade, é um dos grandes fatores de desinteresse e reprovação no ensino médio”, afirmou ao jornal.

O colégio Magister, que acolhe as diretrizes, decidiu criar mecanismos internos para qualificação dos professores. “Se a escola não assumisse isso, teríamos problemas para trabalhar”, afirmou o coordenador do ensino médio, Marcelo Feitosa.

Para a coordenadora do Colégio Sidarta, Jô Fortarel, a divisão em áreas talvez seja interessante em âmbito nacional e em situações específicas, como no caso em que uma escola em uma região industrial der destaque à tecnologia. “Mas entendemos ser mais limitador do que enriquecedor. Nossos alunos querem buscar um espaço no campo de trabalho e não apenas no entorno, mas nas inúmeras possibilidades dentro e fora do país”, afirmou.

Em Berlim, a partir do sétimo ano de estudo e de acordo com o histórico, os alunos são aconselhados a seguir a vida escolar em um dos dois modelos existentes desde a reforma de 2010: ginásio ou escola secundária integrada.

O primeiro, voltado ao mundo acadêmico, é reservado para os que têm as maiores notas. Quem não tiver bom desempenho no primeiro ano, deve mudar para a secundária.

Já o outro modelo tem aulas em tempo integral e aprovação automática. As escolas podem usar o contraturno para aulas de reforço e de aprofundamento das disciplinas tradicionais. Esse modelo também é direcionado para formação profissional.

Em ambos os modelos é possível realizar o Abitur, exame para o ingresso na universidade.

Na opinião de Wanda Engels, do Instituto Unibanco, a mudança aprovada pelo Conselho Nacional de Educação é positiva, já que “às vezes, [o jovem] chega ao ensino médio sem entender o que estão dando para ele”.

A superintendente do entro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), Anna Helena Altenfelder, disse que é preciso pensar se o direito de escolha do aluno será garantido. “E se na escola próxima a ele forem oferecidas áreas com as quais ele não tem afinidade? Na rede privada, esse direito está posto”, afirmou.

O professor da PUC-MG, Carlos Jamil Cury, destaca que o processo ainda está no início e cobrou maior participação dos Estados e Municípios. “Depois que o projeto for finalmente aprovado, vem a parte da adequação. Haverá a fase estadual e a municipal”, disse.

O conselheiro do Todos pela Educação, Mozart Ramos, disse que a proposta depende de um professor com boa formação “Precisamos repensar a formação do professor”, afirmou à Folha de S. Paulo.

A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo afirmou que “aguardará deliberação do Conselho Estadual de Educação” para se pronunciar.

Leia a íntegra da reportagem da Folha de S. Paulo (só para assinantes do jornal)

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