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Jovens infratores invertem a função da escola

A instituição é vista como um ambiente de socialização, onde podem fazer amizades e namorar. Já o conteúdo é considerado como desinteressante e secundário
Os jovens infratores estão vendo a função da escola de forma invertida: o aprendizado não tem sentido e a sociabilidade é o mais importante. A constatação é de um estudo da professora Aline Fávaro Dias, do programa de pós-graduação em educação da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), noticia reportagem da agência Fapesp.

Em geral, os adolescentes – que apresentam baixa escolaridade e histórico de repetência, expulsão e evasão – veem a escola de uma forma ambígua. De um lado, ela é um espaço onde eles são estigmatizados, excluídos e rotulados. E, por outro lado, a instituição é vista como um ambiente de socialização, onde podem fazer amizades e namorar. Já o conteúdo escolar é considerado como desinteressante e secundário.

“Eles invertem a função da escola. O aprendizado, que é considerado primordial para a escola, carece de sentido para eles por não conseguirem ver uma aplicação prática no dia a dia do conteúdo que aprendem, e a sociabilidade passa a ser o aspecto mais importante”, disse ela ao repórter Elton Alisson.

Aline Dias, que é graduada em psicologia, realizou entrevistas e acompanhou seis adolescentes que cumprem regime de liberdade assistida pelo programa de Medidas Socioeducativas em Meio Aberto de São Carlos.

Segundo ela, o próprio envolvimento desses adolescentes em atos infracionais contribui para a esta percepção da escola, além da baixa escolaridade dos pais e a dificuldade da instituição em lidar com eles.

“De modo geral, as instituições de ensino possuem pouca informação sobre o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescentes) e sobre quais são as medidas socioeducativas previstas para um jovem que cometeu um ato infracional”, disse.

Na opinião de Aline Dias, a escola vê esses jovens como problemáticos e gostaria que eles não estivessem matriculados. “É muito comum a prática de expulsão e transferência compulsória desses adolescentes, passando o problema de uma escola para a outra e não resolvendo, de fato, a situação deles”, disse.

Segundo ela, a maioria destes jovens em conflito com a lei tem dificuldade de encontrar vagas e desistam de estudar ainda no ensino fundamental. “Eles reconhecem que a escola e o estudo são importantes, mas mesmo reconhecendo isso não conseguem permanecer na instituição”, afirmou.

Na opinião da professora Elenice Maria Cammarosano Onofre, da UFSCar, que orientou o estudo, “o estudo permite avaliar como o jovem infrator é – ou não – acolhido pela instituição escolar e o quanto os professores estão preparados para receber esses adolescentes em conflito com a lei”.

O trabalho, que obteve bolsa da Fapesp, ganhou o prêmio Crefal de Melhores Teses sobre Educação de Pessoas Jovens e Adultas, edição 2011, concedido pelo Centro de Cooperação Regional para a Educação de Adultos na América Latina e no Caribe (Crefal) – um organismo internacional de cooperação na área de educação, apoiado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Alguns dos resultados do estudo foram publicados em um livro, lançado no fim de maio, pelo programa de Medidas Socioeducativas em Meio Aberto de São Carlos.статьи на заказнастилка ламинатаоборудование уфа