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Jovens que sonham em ser professores

Catorze por cento dos jovens brasileiros de 15 a 19 anos querem ser professores, mas muitos deles acabam desistindo da profissão.

Há quase 20 anos Edson do Carmo é professor de inglês da rede pública. Lembra praticamente de cada aluno que já teve. A estudante Aniely Silva quer ser professora por causa dele. Em 2017, começou a licenciatura em Ciências Sociais.

“Ele tinha uma energia muito boa, ele sempre estava motivado para dar aula. Então quando você tem um professor que, independentemente de onde você esteja, consegue trazer uma aula que faça sentido para os alunos, acho que é essencial”, disse a estudante de ciências sociais Aniely Silva.

Essa relação entre professor e aluno dentro da sala de aula é decisiva para uma educação de qualidade e para motivar o aprendizado. Uma relação que quando dá certo pode transformar vidas e o futuro de um país.

“A única forma de um país com educação é o professor, ela é a única saída”, afirmou a estudante do ensino médio Jaíne Fernandes.

Catorze por cento dos jovens entre 15 e 19 anos querem ser professores, mas a cada cem alunos que entram nos cursos de pedagogia ou licenciatura, apenas metade termina a faculdade e somente 27 vão realmente ensinar nas salas de aula.

“A gente está perdendo esses 14% da nossa juventude. Uma juventude talentosa que podia estar colocando todo esse talento para a causa da educação, da educação pública, pela docência, pela profissão professor. A gente está perdendo pela desvalorização da carreira que infelizmente a gente tem pelo Brasil hoje”, explicou a presidente executiva do Todos pela Educação, Priscila Cruz.

Segundo o movimento Todos pela Educação, um professor ganha metade do que os profissionais de outras áreas com ensino superior completo. A falta de condições de trabalho e a violência nas salas de aula também afastam os jovens da profissão.

“Eu vejo muito desrespeito, entendeu? Então, às vezes, eu tenho medo de passar por isso também, porque talvez eu não saberia lidar com isso”, disse a estudante do ensino médio Daniele Rodrigues.

Um desafio que é diário na sala de aula. “Eu tento mostrar para eles que o nosso caminho, a nossa mudança é feita através do ensino, da educação. Não existe para nós, que somos da periferia, eu também fui morador aqui do bairro, a nossa transformação acontece a partir do estudo”, declarou o professor da rede pública Edson do Carmo.

Jovens no Instituto Singularidades

Raquel Magalhães Coelho se formou em economia na USP. Passou sete anos trabalhando em uma ONG que tinha parcerias com escolas públicas para complementar o aprendizado. Até que decidiu ser educadora e começou uma nova faculdade, no Instituto Singularidades.

“Eu só tomei a decisão de que eu queria estudar pedagogia para ser professora depois de conhecer pessoas que trabalham na educação pública, particular, de periferia, de centro. Pessoas que estão na escola e que fazem a diferença”, explicou a estudante de pedagogia Raquel Magalhães Coelho.

Raquel e Aniely têm um longo caminho pela frente. Além do desafio, têm em comum também um sentimento: gratidão.

Por Jornal Nacional, da TV Globo

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