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Quando a leitura dos clássicos preenche o vazio nas relações humanas

Vivemos num tempo de informação ligeira e compartilhada por milhares de pessoas. Porém, a leitura de textos clássicos é uma atividade solitária, lenta e que, para ser bem feita, precisa ser aprendida e apreendida. Nesse clima paradoxal é possível falar em leitura de textos clássicos no ambiente escolar?

Vejamos.

A leitura dos clássicos estimulada pela escola poderia ser considerada uma tentativa de oferecer respostas e reflexões complexas ao vazio das relações humanas, entretanto, na atualidade, essas respostas passaram a ser buscadas – quando o são – pelos que ainda leem sem a obrigatoriedade escolar, em manuais de autoajuda, mais imediatos e utilitários, se comparados aos textos literários de longa tradição.

E mais leitura.

Nesse sentido, o ensino de literatura por meio de obras clássicas se choca constantemente com o relativismo cultural dominante. Nas escolas, os professores selecionam as leituras sob a influência dos estudos culturais de inspiração norte-americana e do mercado editorial, que valorizam em seus temas o politicamente correto, isto é, o conteúdo ideológico das obras, e desconfiam dos clássicos universais da literatura, a menos que venham diluídos em adaptações insípidas ou em outras linguagens.

Não para por aí.

É preciso admitir que o ensino de literatura na educação básica sofreu grandes modificações. Os professores de literatura foram mudando os métodos de análise e interpretação das obras, aproveitando-se das ciências humanas: história, sociologia, linguística, psicanálise… Desde a década de oitenta do século passado, porém, é a própria obra literária que está sendo questionada no ensino da literatura.

Então por que insistimos? Por que ler os clássicos?

Porque os clássicos, como um paradigma cultural humanista, podem reverter os critérios de leitura e releitura nas escolas. Ler Machado de Assis torna-se compulsório para refinar a sensibilidade e o humor; assim como Sófocles, para o aprimoramento da ética; Shakespeare, para humanizar os homens; Dostoiévski,  para o afinamento das emoções … E assim é.

Por Claudio R. Sousaé professor de literatura do ensino médio no Colégio Ítaca, em São Paulo

 

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