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Mães exigem pouco das creches de São Paulo

Persiste a compreensão entre as mães de que as creches constituem um serviço filantrópico e não um direito

Mães que têm filhos em creches do município de São Paulo fazem pouca exigência sobre os serviços prestados, principalmente no aspecto educacional, informa Alex Sander Alcântara, da Agência Fapesp.

Os resultados do estudo – que é parte do projeto “Ações de segurança e educação alimentar em creches públicas e filantrópicas no município de São Paulo”, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) – foram publicados na Revista de Nutrição.

“Por se considerarem privilegiadas pelo acesso às creches, as mães apresentam baixa exigência. Contudo, valorizam aspectos relacionados com alimentação, higiene e administração de medicamentos. Em relação às educadoras, há grandes limitações quanto às suas condições de trabalho, principalmente no que diz respeito ao pequeno número de profissionais”, afirmou à Agência Fapesp Cláudia Maria Bógus, professora da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) e uma das autoras do artigo.

Desde 1996, quando a Lei de Diretrizes e Bases estabeleceu que as creches públicas passariam da Secretaria de Assistência Social para a Secretarias de Educação, objetivo principal das creches é fornecer educação infantil.

A pesquisa mostra ainda que poucos pais têm contato com os funcionários da creche. “Há falta de uma comunicação mais interpessoal, o que viabilizaria maiores oportunidades de expressão de dúvidas e angústias por parte dos pais e maiores esclarecimentos por parte da instituição”, disse Maria Cezira Fantini Nogueira Martins, do Instituto de Saúde da Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo, uma das autoras do artigo.

Segundo a reportagem da agência, persiste a compreensão entre as mães de que as creches constituem um serviço filantrópico e não um direito. De acordo com Cláudia, “prevalece o sentimento de que são privilegiadas pela possibilidade de usufruírem dos serviços da creche, principalmente porque reconhecem que o número de instituições é muito pequeno.”

Excesso de trabalho e o número reduzido de funcionários são as principais queixas das educadoras das creches. A portaria da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, de 2004, estabelece a proporção de um educador para sete bebês na faixa etária de 0 a 11 meses, e de um educador para nove crianças, de 1 ano a 1 ano e 11 meses.

O Ministério da Saúde recomenda seis crianças por educador, para a faixa etária de 0 a 11 meses e oito crianças por educador para a faixa etária de 1 ano a 1 ano de 11 meses.

“As educadoras se sentem desvalorizadas. Uma das queixas é o problema do cansaço relacionado ao não reconhecimento institucional. É um cansaço tanto físico quanto mental. Elas dizem que precisam ser mais valorizadas e ter um salário melhor”, afirma Maria Cezira.

O estudo recomenda futuras pesquisas sobre a relação entre as creches e os serviços de saúde e as condições de trabalho das educadoras. “Essas pesquisas são fundamentais porque o atendimento assistencial e educacional nessa faixa etária é muito importante para o desenvolvimento infantil e existem possibilidades de aprimoramento”, disse.

Leia a íntegra do o artigo Cuidados oferecidos pelas creches: percepções de mães e educadoras

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