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Matemática: conheça os seis estudantes que representarão o Brasil na Olimpíada Internacional

Os seis estudantes que representarão o Brasil na 58ᵃ edição da Olimpíada Internacional de Matemática (IMO, em inglês), a ser realizada pela primeira vez no Brasil, entre 17 e 23 de julho, no Rio, foram apresentados nesta terça-feira, dia 13 de junho.

A equipe contará com três estudantes do Nordeste, dois de São Paulo e um de Minas Gerais, e terá dois professores nordestinos como líder, o alagoano Krerley Irraciel Martins, e o vice-líder, o cearense Frederico Vale Girão, relata a Agência Brasil.

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Os jovens têm idades de 16 a 19 anos e foram selecionados pelo IMPA (Instituto de Matemática Pura e Aplicada) e pela SBM (Sociedade Brasileira de Matemática) de um grupo de 30 alunos do Ensino Médio que vem recebendo treinamento intensivo desde 2016, informa o IMPA.

Davi Cavalcanti Sena, do Recife, e Bruno Brasil Meinhart, de Fortaleza, são os mais jovens do time, com 16 anos. Eles cursam o ensino médio na Escola Ari de Sá Cavalcanti, em Fortaleza.

Bruno e Davi: união pela matemática. Fotos: Finep

Bruno e Davi: união pela matemática. Fotos: Finep

Bruno conta que, desde que o amigo chegou de uma escola de Caruaru, em Pernambuco, eles passaram a ser praticamente uma família: “Assistimos aula juntos toda semana e passo mais tempo com ele do que com meus irmãos. A gente é uma família mesmo, e acho que graças a ele a gente conseguiu chegar aqui firme forte”.

Na equipe também estão três estudantes que representaram o Brasil na olimpíada de Hong Kong, em 2016, quando o Brasil teve sua melhor posição no ranking internacional: 15º lugar.

O paulista Pedro Henrique Sacramento de Oliveira, 17 anos, trouxe uma medalha de prata e o cearense George Lucas Diniz de Alencar, de 18, uma de bronze. E o mineiro João César Campos Vargas, de 19 anos, que participará de sua terceira edição na competição.

Os medalhistas Pedro e George

Os medalhistas Pedro e George

O time brasileiro é completado pelo o estreante na IMO e paulistano André Yuji Hisatsuga, de 17 anos.

O mineiro João César já garantiu uma vaga para cursar matemática na universidade americana de Princeton, a partir de agosto. Seu percurso começou em uma escola pública de Passa Tempo, em Minas Gerais.

Ele acredita que participar das competições fez diferença para chegar até uma das principais universidades do mundo. “Apesar das universidades americanas quererem que você seja um bom aluno na escola, eles também querem saber se você tem algo especial que você gosta e a que você se dedica”, diz ele, que vai cursar matemática. “A estrada é muito longa. Pouco a pouco, você vai vendo portas se abrirem como programas de iniciação científica, que ajudaram muito”.

André e João estão preparados para o desafio

André e João estão preparados para o desafio

 A seleção de jovens foi anunciada pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA) e a Sociedade Brasileira de Matemática (SBM) na apresentação do Biênio da Matemática Brasil 2017-2018. No período, o Brasil vai sediar importantes eventos da área, como a Olímpiada Internacional de Matemática de 2017, o Congresso Internacional de Matemáticos de 2018 e o Encontro Mundial de Mulheres Matemáticas.

O diretor do IMPA, Marcelo Viana, espera que o biênio aproveite essa movimentação científica para melhorar a relação dos brasileiros com a matemática. “A matemática não é para gênios, é para todo mundo e todo mundo usa”, afirmou Viana.

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João César Campos Vargas, 19 anos, coleciona medalhas desde que participou de sua primeira Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) como aluno de escola pública da pequena Passa Tempo (MG). Heptacampeão na competição, conquistou ouro também nas duas últimas edições da Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM) e garantiu em edições anteriores da IMO uma medalha de bronze (2015) e uma de prata (2016) para o Brasil. João César quer seguir carreira em Matemática e, este ano, foi selecionado para ir para a Universidade de Princeton, nos Estados Unidos. Ele sonha com o ouro no Rio, mas não se diz ansioso com isso: “Essa suposta pressão geralmente se reverte em apoio. Somos muito capacitados, mas competições como a IMO premiam também quem pensa nas resoluções de forma diferente da usual.”

Pedro Henrique Sacramento de Oliveira – O paulista Pedro Henrique Sacramento de Oliveira, 17 anos, vivenciou a experiência de ser premiado na Olimpíada Internacional de Matemática (IMO) nos últimos dois anos, quando trouxe para o Brasil medalhas de prata. Ele já acumula mais de 50 prêmios em torneios de conhecimento. Em 2016, integrou a equipe que garantiu ao Brasil a melhor colocação histórica na IMO – 15ª no ranking geral –, e foi o primeiro lugar geral na Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM) 2016. Pedro deseja estudar Matemática e Informática na graduação. Sobre a IMO, diz que não ter o ouro como meta. “Prefiro continuar melhorando em vez de ter um objetivo fixo. Se colocasse isso como meu objetivo e conseguisse, acabaria qualquer motivação para a Matemática. Prefiro me desafiar.”

George Lucas Diniz Alencar – Pelo segundo ano consecutivo, o cearense George Lucas Diniz Alencar, 18 anos, vai encarar o desafio de encontrar soluções para problemas matemáticos de alto nível em uma prova da IMO. Na última edição da maior competição estudantil da área, em Hong Kong, ele ganhou um bronze. Em 2016, conseguiu a segunda nota em todo o país no nível 3 (alunos do Ensino Médio) da Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM). Garantiu ainda uma medalha de prata na 31ª Olimpíada Ibero-americana de Matemática (OIM), no Chile, quando o Brasil disputou com 22 países e ficou em primeiro lugar na pontuação geral. Sobre o desafio de julho de 2017, diz: “Quero participar de mais uma IMO para dar o meu melhor de novo.”

André Yuji Hisatsuga – Estreante na competição internacional de Matemática, o paulistano André Yuji Hisatsuga, 17 anos, dizia, na fase de treinamentos para IMO, que integrar o time brasileiro já seria uma grande realização. Agora mira em uma medalha para o Brasil. Desde que passou a se dedicar aos torneios na área, André acumula prêmios. Há quatro anos é medalhista de ouro da Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM), no nível 3 (Ensino Médio). Em competições internacionais, ganhou medalha de prata na Olimpíada de Matemática do Cone Sul (2015) e ouro na Olimpíada de Matemática dos Países da Comunidade de Língua Portuguesa (2014). Para ele, “Olimpíadas são ambientes que inspiram o estudante”.

Bruno Brasil Meinhart – Após três anos consecutivos de medalhas na Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM) – ouro (2014), bronze (2015) e prata (2016) –, o cearense Bruno Brasil Meinhart, 16 anos, vai integrar a equipe olímpica do Brasil na IMO.  Em 2016, ganhou medalha de bronze na Olimpíada Rioplatense de Matemática e, em 2015, alcançou o 5º lugar geral na Olimpíada de Matemática da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, em Cabo Verde. Bruno estreou em olimpíadas do conhecimento na 5ª série. É um aficionado por Ciências da Computação e diz que os conhecimentos adquiridos nos torneios em Matemática serão essenciais para o bom desempenho na área.

Davi Cavalcanti Sena – O pernambucano Davi Cavalcanti Sena, 16 anos, estreou nas competições de Matemática em 2012. Fez a prova da Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM) e conseguiu uma menção honrosa. A partir de então, não parou mais de competir. Por três anos consecutivos, foi medalhista da OBM, com um ouro (2014), uma prata (2016) e um bronze (2015). Em 2013, o aluno de escola particular de Caruaru, no agreste pernambucano, ganhou uma medalha de bronze na Olimpíada Internacional de Matemática de Mayo e repetiu o feito em 2015. No ano passado, conquistou um bronze na Olimpíada Iraniana de Geometria Avançada e, este ano, trouxe um ouro na Olimpíada de Matemática da Ásia e Pacífico. Davi se vê desafiado pela criatividade das provas aplicadas nos torneios.

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