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Matrículas no Pronatec são lentas e se concentram em cursos rápidos

Até agora, o programa para financiar cursos profissionalizantes de nível médio abriu 1,1 milhão de vagas, ou 13,75% do total das 8 milhões previstas até 2014

Criado em outubro de 2011 para financiar cursos profissionalizantes de nível médio para pessoas de baixa renda, o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) abriu até agora 1,1 milhão de vagas, ou 13,75% do total das 8 milhões previstas até 2014. Segundo o jornal Gazeta do Povo, no Paraná a maioria das vagas foi aberta nos cursos de qualificação, com 160 horas, e não nos cursos técnicos, de 800 horas.

A reportagem de Pollianna Milan relata que esta distorção prejudica os dois principais objetivos do programa: formar mão de obra capacitada e melhorar a qualidade do ensino médio.

Na opinião do professor-adjunto do Centro de Educação da Universidade Federal do Espírito Santo, Marcelo Lima, o Pronatec deveria abranger apenas os cursos técnicos. “A questão é que não se definiu quantas matrículas seriam abertas para cada modalidade, por isso o receio é que o número de vagas seja reflexo apenas dos cursos rápidos. Aí posso dizer que regredimos”, disse ele ao jornal.

No Paraná, os cursos técnicos passaram a ser ofertados apenas agora, no segundo semestre. E a quantidade de vagas é inferior à de cursos rápidos. “A complexidade do trabalho hoje exige que o trabalhador tenha capacidade de fazer raciocínios. E os cursos rápidos não permitem essa formação”, afirma o professor da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Domingos Leite.

Segundo a reportagem, o atraso na oferta de cursos técnicos ocorreu porque a Secretaria de Educação do Paraná (Seed) decidiu se organizar melhor. Já os cursos de qualificação, voltados principalmente para a população desempregada e que recebe o Bolsa Família, foram ofertados a estudantes de ensino médio, mas muitos deles não demonstraram interesse. As turmas de formação de pedreiros, padeiros e lixadores ficaram vazias, informa a Gazeta do Povo.

Para ser beneficiado pelo Pronatec, o aluno precisa ser encaminhada pelo colégio estadual onde estuda ou por programas sociais. “As secretarias ainda estão aderindo aos poucos ao Pronatec. Temos a estrutura para ofertar os cursos, mas houve falta de divulgação para a população em geral”, disse a coordenadora de Educação e Tecnologia do Senac-Paraná, Carina Barbara Ribas de Oliveira Bechert.

Os cursos técnicos são ofertados aos alunos de ensino médio das escolas públicas e são feitos juntamente com o ensino regular. Para Marcelo Lima, o “ensino médio já sofre de evasão, por isso seria interessante juntar o currículo do médio com o do técnico, caso contrário o aluno não vai conseguir frequentar dois cursos diferentes, principalmente aquele que trabalha”.

O economista e especialista em educação Claudio de Moura Castro acha que o Pronatec não vai melhorar o ensino médio. “O médio tem 16 disciplinas e agora colocam o técnico com mais horas. Isso não é melhorar nada”, disse ao jornal.

A secretaria informa que dos alunos que fizeram a pré-matrícula nos curso técnicos no Paraná uma parte já desistiu porque conseguiu emprego. O número de desistentes não foi divulgado. “Essas pessoas foram procuradas por telefone e disseram que desistiram porque iriam trabalhar”, afirmou a diretora do Departamento de Educação e Trabalho da Seed, Marilda Aparecida Diorio Menegazzo.

A Seed estuda oferecer os cursos técnicos do Pronatec nas escolas estaduais, mas ainda estã em fase de negociação. Hoje os cursos do programa são ofertados no Estado pelo Instituto Federal do Paraná (IFPR), Senai e Senac.

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