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MEC acaba com o Ciência sem Fronteiras para graduação

Agora é oficial: o Ministério da Educação encerrou o programa Ciência Sem Fronteiras na modalidade de cursos para graduação. O programa atenderá só cursos de pós-graduação. O jornal O Globo informa ainda que outros dois programas voltados para alunos da rede pública estão ameaçados.

Criado pelo governo de Dilma Rousseff, o Ciências Sem Fronteiras pagou bolsas de estudo no exterior para cerca de 100 mil estudantes. Agora, para a pós, estão programadas 5 mil bolsas em 20017.

Além de culpar a gestão anterior e dizer que o programa deixou dívidas, o MEC alegou falta de dinheiro para encerrar o Ciências Sem Fronteiras.

O jornal carioca ouviu dois estudantes. Lukas Machado participou do programa em 2014 e foi para os Estados Unidos.  Ele estuda engenharia da computação e lamentou o encerramento do Ciência Sem Fronteiras. Disse que gostou muito da experiência, que aprendeu com um método de ensino diferente. “Eu cheguei, por exemplo, a trabalhar lá, no próprio campus e isso foi bastante legal, aprendi bastante coisa, então, pra mim foi muito, muito bom”, disse ao jornal carioca

Aluno de mecatrônica da Universidade de Brasília, Tiago Pereira disse que estava se “preparando” e chegou a começar a estudar o idioma do país que queria ir. “Seria, primeiramente, uma experiência de vida muito, muito boa, passar um ano sozinho, tendo que se virar em outra cultura”, disse Tiago ao jornal carioca.

O MEC afirma que uma avaliação feita no ano passado mostrou que, em 2015, o governo investiu R$ 3,7 bilhões, o mesmo valor usado na merenda escolar de 39 milhões de alunos.

O presidente da Capes, Abílio Baeta, agência ligada ao MEC que seleciona e distribui a maioria das bolsas bancadas pelo governo federal, explicou que 70% das bolsas do Ciência Sem Fronteiras foram para alunos da graduação. Segundo ele, o programa foi enriquecedor para os alunos, mas, segundo ele, nem tanto para o Brasil.

“A volta desses meninos não impactou a prática de ensino de nossas universidades e, com isso, não foi multiplicada para melhorar o ensino em geral da graduação no Brasil nas áreas que tinham sido selecionadas”, disse a O Glob.

Os últimos bolsistas foram selecionados em 2014 e ainda tem estudante fora do país recebendo a bolsa. Mas não haverá novas seleções para alunos de ensino superior.

MEC tem mais dois programas ameaçados

Segundo o jornal O Globo, também correm risco, por falta de dinheiro, a Olimpíada Brasileira de Matemática e Programa de Iniciação Científica (PIC) que premia os 6.500 medalhistas das olimpíadas com bolsas e aulas com professores universitários.

O Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), responsável pelos dois programas, diz que precisa de R$ 6 milhões para levá-los adiante este ano e que, até agora, o governo garantiu apenas R$ 2 milhões.

O diretor-geral do Impa, Marcelo Viana, diz que os dois programas já mostraram resultados importantes para os jovens que vêm da rede pública de ensino e que espera conseguir negociar com o governo.

“Estamos falando de jovens que vêm da periferia das grandes cidades, vêm do interior do país, vêm de escola pública, de modo geral de classes desfavorecidas. A Olimpíada abre uma porta, o PIC dá a chave para essa porta, eu prefiro ser otimista e acreditar que será possível encontrar uma solução”, disse Marcelo Viana ao jornal.

Este ano teve recorde de inscrições para a Olimpíada de Matemática. Mais de 48 mil escolas públicas já inscreveram seus alunos.

Nesta terça-feira, dia 4, o Ministério da Educação disse que vai garantir os R$ 6 milhões para os programas ligados à Olimpíada da Matemática.