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MEC estuda Plano Nacional Pró-Engenharia

Segundo reportagem de O Estado de S. Paulo, os cursos são pouco atraentes para os estudantes, sofrem críticas da indústria e são inadequados para a sociedade do século 21

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), ligada ao Ministério da Educação, está analisando a criação do Plano Nacional Pró-Engenharia, proposto por um grupo de notáveis para intervir nos cursos de engenharia. Segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, os cursos são pouco atraentes para os estudantes, sofrem críticas da indústria e são inadequados para a sociedade do século 21. Ainda preliminar, o plano prevê um investimento de R$ 300 milhões, em cinco anos, com recursos da União.

Entre as propostas está o financiamento não reembolsável nas Instituições de Ensino Superior(IES) em cursos de graduação considerados de bom nível. Serão distribuídas bolsas de estudos e haverá negociação da participação do setor empresarial, por meio de parcerias público-privadas.

Para ter acesso aos recursos, a escola deve ter obtido conceito igual ou superior a quatro no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes(Enade) e ter 50% dos professores em regime de tempo integral com título de mestre ou doutor. Os alunos beneficiados devem ter renda familiar inferior a dez salários mínimos. O plano prevê o monitoramento das IES beneficiadas por uma comissão tripartite, com representantes da escola, indústria e governo.

A prioridade do plano é reduzir a evasão registrada nos cursos da área – 60% em média, considerando instituições públicas e privadas, segundo o professor Sandoval Carneiro Júnior, coordenador do grupo. Ele informou à repórter Lilian Primi que as 500 faculdades de engenharia ofereceram, em 2007, 198 mil vagas, disputadas por 450 mil estudantes. “Mas apenas 115 mil foram preenchidas”, afirmou. Segundo ele, caso essa turma repita as antecedentes, apenas 32 mil irão se formar.

O diretor de Educação da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), Luiz Edmundo Rosa, disse ao jornal que os cursos dão um peso muito grande para as disciplinas básicas. “Esse quadro, aliado ao despreparo dos alunos nas disciplinas de matemática, física, química e ciências, cria uma grande barreira”, afirmou.

Segundo Rosa, 70% dos vestibulandos escolhem carreiras da área de ciências humanas. “As carreiras técnicas, de engenharia e química principalmente, foram sistematicamente desvalorizadas nos últimos anos, em favor da área de finanças, devido ao modelo econômico adotado no País, que não dava prioridade a investimentos em infraestrutura”, afirmou ele ao Estado de S. Paulo.

Dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indicam uma demanda anual por engenheiros superior a 60 mil.

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