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MEC estuda reduzir verbas para faculdades de filosofia e sociologia

O Ministério da Educação estuda reduzir as verbas das faculdades de filosofia e sociologia, publicou o presidente Jair Bolsonaro na rede social twitter nesta sexta-feira, dia 26 de abril, um dia após visitar o MEC. “O ministro da Educação estuda descentralizar investimento em faculdades de filosofia e sociologia (humanas). Alunos já matriculados não serão afetados. O objetivo é focar em áreas que gerem retorno imediato ao contribuinte, como: veterinária, engenharia e medicina”, escreveu o presidente.

Segundo ele, “a função do governo é respeitar o dinheiro do contribuinte, ensinando para os jovens a leitura, escrita e a fazer conta e depois um ofício que gere renda para a pessoa e bem-estar para a família, que melhore a sociedade em sua volta”.

Na quinta-feira, o presidente fez a sua tradicional a transmissão ao vivo no Facebook acompanhado do ministro da Educação, Abraham Weintraub. “Então, o que a gente tem que ensinar para as crianças, para os jovens? São, primeiro, habilidades, de poder ler, escrever, fazer contas”. Bolsonaro diz ser importante a escola ensinar um ofício que “gere renda para a pessoa, bem-estar para a família, que melhore a sociedade em volta dela”.

O ministro citou o exemplo do Japão que estaria reduzindo os recursos para as faculdades de humanas. “Ele [Japão] está tirando dinheiro público do pagamento de imposto de faculdades que são tidas como para uma pessoa que já é muito rica ou de elite, como filosofia”, disse Weintraub.

Segundo o ministro, o Japão investe em faculdades que “geram retorno de fato, como enfermagem, veterinária, engenharia, medicina”.

Ao receber à tarde o presidente no MEC, o ministro disse que é preciso investir pesado na pré-escola e na educação básica para garantir uma melhoria contínua dos indicadores nacionais. “Nosso objetivo é melhorar técnica e conceitualmente a educação brasileira. Ênfase na pré-escola, ênfase na educação básica. Tem que melhorar a capacidade de leitura das nossas crianças, a capacidade de fazer contas, matemática, regra de três, subir no Pisa [Programa Internacional de Avaliação de Estudantes]”, disse.

Sobre o ensino superior, ele afirmou que as faculdades precisam “melhorar a performance dos alunos, gerando mais empregabilidade, gerando mais oportunidade, gerando empreendedorismo.”

Weintraub informou que no dia 7 de maio vai à Comissão de Educação do Senado, e no dia 15 à Câmara dos Deputados, quando deve apresentar metas para a educação brasileira.

Nesta sexta-feira, diversas associações de ensino ligadas às ciências sociais divulgaram notas contra o MEC.

Nota de Repúdio a declarações do Ministro Da Educação e do Presidente da República sobre as Faculdades de Humanidades, nomeadamente Filosofia e Sociologia, via Associação Brasileira de Ensino de Ciências Sociais.

Em defesa da autonomia universitária e contra os ataques de Bolsonaro às áreas de filosofia e sociologia, via Observatório do Conhecimento