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MEC revela precariedade da educação nas pequenas cidades

Secretários municipais de educação reunidos em Brasília contam as dificuldades encontradas nas escolas rurais e urbanas
Pobreza, prostituição juvenil, uso de drogas, crianças comendo a merenda escolar nos corredores, escolas sem bibliotecas e quadras esportivas, ônibus escolares precários e laboratórios de informática que não funcionam. Esta é a realidade da educação pública em Água Boa e Itaúba (MT), Posse (GO), Urbano Santos (MA) e Alvorada do Gurguéia (PI), contada pelos próprios secretários de educação.

Uma reportagem do Ministério da Educação sobre o encontro de 905 secretários municipais de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Piauí e Maranhão, esta semana em Brasília, revela o tamanho do desafio para melhorar a qualidade da educação pública no Brasil. O encontro faz parte de uma série de 11 reuniões que o MEC e a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) promovem até abril para orientar os municípios a elaboraram projetos para obtenção de recursos dos Estados e da União.

A situação mais crítica apontada pela reportagem de Ionice Lorenzoni acontece no município maranhense de Urbano Santos. A secretária Raimunda Nonata Caldas Oliveira disse que a pobreza e a migração dos alunos para a cidade por causa da péssima qualidade da educação no campo vêm aumentando os casos de prostituição juvenil e uso de drogas.

Segundo ela, o início do ano letivo será apenas em abril porque a rede está sucateada, especialmente no campo, onde uma das escolas é um barracão e a merenda escolar e as carteiras quebradas convivem em um depósito. Das 68 escolas do município, 55 estão na zona rural. Embora já faça parte do Programa de Ações Articuladas do MEC, Urbano Santos ainda não firmou convênios para a obtenção de recursos.

Em Alvorada do Gurguéia, no Piauí, o secretário Pedro Neto Rodrigues de Sousa disse que tem duas escolas com laboratórios de informática, mas nenhum funciona. Na escola urbana, o laboratório está montado, mas não tem internet. Na escola rural, os computadores ainda estão dentro das caixas. “O que fazer nesses casos?”, questiona. Segundo o secretário, o principal problema encontrado é a evasão e a repetência. Alvorada do Gurguéia tem 1.400 alunos no ensino fundamental, sete escolas rurais, uma escola urbana e uma creche urbana, 108 professores, sendo que 97% com graduação.

Já no município de Itaúba, norte de Mato Grosso, a secretária Arlete Catarina Dambros, culpou a administração anterior pela precária situação das escolas. Ela contou que há escolas onde as crianças comem a merenda escolar nos corredores, os ônibus escolares são precários e perigosos e muitas escolas não tem bibliotecas nem quadras esportivas. Ela espera que o encontro ajude a prefeitura na elaborar projetos para captar recursos do Estado e da União. Itaúba tem uma creche, uma escola de educação infantil, uma escola de ensino fundamental e de educação de jovens e adultos e duas escolas rurais, com 1.300 alunos.

A secretária de Posse, em Goiás, Alda Marques Souza Martins, reconhece que a situação na cidade não é das piores, já que na equipe de professores 90% têm graduação e piso salarial acima da nova lei. Ela informou que pretende ampliar as escolas com laboratórios de informática (são apenas duas) e melhorar o transporte escolar. A rede de Posse tem cerca de três mil alunos, 24 escolas de ensino fundamental, das quais 18 estão na área rural.

Já o secretário de Água Boa, em Mato Grosso, Edílson Pedro Spenthof, diz que sua prioridade é melhorar as escolas rurais e o transporte escolar.

Laptop

Durante o encontro, o Ministério da Educação distribuiu laptops para todos os 905 secretários municipais. Os computadores portáteis contêm instruções sobre os programas do MEC, informa a Agência Brasil. De acordo com a assessoria do ministério, cada equipamento custou entre R$ 1.200 e R$ 1.500. Os secretários têm 60 dias para enviar ao MEC cópia do documento que declare o laptop como patrimônio da Secretaria.

A secretária municipal de Educação de Santo Amaro do Maranhão (MA), Glacimar Facundes, acredita que o computador será útil para melhorar a educação. “Na secretaria do meu município nós temos computadores, mas não laptops. Ele será muito útil porque é uma forma de estarmos sempre em comunicação com os órgãos e informados sobre os programas do MEC”, disse.

A presidente da Undime, Justina Iva, elogiou a iniciativa, embora reconheça que o governo federal poderia fornecer as informações de outra forma. “É louvável essa inciativa do MEC. É logico que poderia ser entregue de outra forma, mas ocorre que a grande maioria dos secretários municipais não tem laptop. Em alguns municípios, não tem sequer computadores, então essa é uma providência muito interessante como forma de inclusão digital. Investir na educação não é gastar, é investir”, disse ela à agência de notícias do governo federal.

O secretário executivo do MEC, Henrique Paim, disse que a distribuição dos laptops envolve o trabalho de informatização. “Estamos distribuindo os laptops que contêm um conjunto de informações necessárias para o trabalho das secretarias. Como são muitas informações, é mais interessante que fique dentro de um equipamento que o secretário possa usar”, disse.

Paralelamente ao encontro em Brasília, está sendo realizada reunião em Florianópolis com os secretários municipais de Educação de Santa Catarina e do Paraná.

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