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Novas pressões sociais afetam trabalho dos professores nas classes

 

Quando o oficial de Justiça chegou com uma intimação, o professor Odilon Oliveira Neto achou que se tratava de brincadeira. Era sério: se tornara réu num processo movido pela mãe de um aluno, de quem ele tirou o celular durante a aula.
“Não me arrependi, mas vivi seis meses de apreensão até a decisão”, conta o docente de ciências de uma escola municipal em Tobias Barreto (SE). Acabou inocentado e, dois anos após o caso, diz que não mudou sua conduta.

Instituto Singularidades

O episódio ilustra novas pressões que afetam o trabalho dos docentes. Segundo Marcelo Ganzela, coordenador do Instituto Singularidades, as universidades precisam preparar o futuro professor para esse cenário. “Quem saiu da faculdade ano passado já está desatualizado. O curso tem que preparar o professor de forma que ele tenha autonomia para continuar sua formação”, diz.
Gazela considera que o movimento de ocupação de escolas em 2016 também aumentou o questionamento da autoridade em sala, o que gerou um ressentimento nos docentes. “Mas os professores são o lado mais experiente, não podem ficar magoados”, diz ele, que dá aula em uma escola que foi ocupada.

Novas

Além da perda de autoridade, a exposição nas redes sociais é outro ponto de tensão. Depois que passou a aceitar alunos no seu perfil no Facebook, o professor de filosofia na rede estadual paulista Regis Coutinho começou a ouvir piadas a respeito de sua orientação sexual.
Para ele, a maioria dos alunos não se incomoda com o fato de ele ser homossexual. “Mas se você os desagrada em aula, vai para o embate, eles usam isso como arma”, diz.
Para evitar esse tipo de situação, a advogada Patrícia Peck recomenda que professores separem o perfil profissional do pessoal. “Antigamente, quando batia o sinal, o professor tirava o jaleco e virava um indivíduo. Hoje o desafio é delimitar essa fronteira”, diz ela.
Ela acrescenta que a medida é importante para evitar problemas com questões políticas. “Um comentário político pode confundir a figura do educador na cabeça do jovem”, diz a advogada.
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