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Novo ministro da Educação fez parceria privada para o ensino integral

O novo ministro da Educação é o deputado federal José Mendonça Bezerra Filho (DEM-PE), confirmou a assessoria do presidente interino Michel Temer. Segundo a revista Veja, a ex-secretária de Educação de São Paulo, Maria Helena Guimarães será a secretária-executiva do MEC.

Mendonça Filho foi um dos deputados estaduais mais jovens do Brasil, em 1986, aos 20 anos, cargo que deixou para assumir a Secretaria de Agricultura de Pernambuco em 1991. Foi deputado federal pela primeira vez entre 1995 e 1999, retornou à Câmara em 2011 e foi reeleito no ano passado.

Foi vice-governador de Jarbas Vasconcelos (PMDB) no governo de Pernambuco de 1999 a 2006, ano em que assumiu como governador quando Vasconcelos deixou o cargo para concorrer ao Senado. Mendonça Filho ainda disputou e perdeu eleições para prefeito de Recife e governador de Pernambuco.

Parceria privada

Segundo reportagem do jornal Valor Econômico desta quinta-feira, dia 12 de maio, no período em que esteve no governo de Pernambuco, um dos principais projetos da Secretaria de Educação foi o desenvolvimento da escola integral, realizado em parceria com o Instituto de Co-Responsabilidade Educacional (ICE), entidade liderada por um grupo de empresários.

O secretário estadual de Educação de Pernambuco na época, Mozart Neves Ramos, hoje diretor do Instituto Ayrton Senna, disse que o modelo foi desenvolvido em 33 escolas.  Ele afirmou ao jornal que contou com apoio político do então vice-governador para garantir recursos e avançar o projeto.

Mozart, quer também foi diretor do movimento Todos Pela Educação, afirmou que a gestão de Mendonça Filho dependerá de bons técnicos. “Vai depender muito da capacidade dele de montar um bom time nas duas áreas. Se conseguir, e com a sua experiência política, tem grandes chances de fazer um bom trabalho”, afirmou ao Valor.

Para ele, no curto prazo os desafios do novo ministro serão dar continuidade de programas como o Fies, Pronatec e Ciências Sem Fronteiras e completar o projeto da Base Nacional Comum Curricular.

Crise

O coordenador do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Edson Francisco de Andrade, disse que a educação integral adotada pela gestão de Vasconcelos e Mendonça “como experiência, não se pode creditar a esse período, que foi marcado pela crise e a necessidade de investimentos menores”.

Para o professor, a gestão foi pautada por poucas inovações, forte transferência da responsabilidade da área para os municípios e pelo congelamento do plano de carreira dos docentes.

Novo ministro e o setor privado

O jornal Valor também traz na edição desta quinta-feira uma entrevista com o presidente da Associação Brasileira de Mantenedores de Ensino Superior ao (Abmes), Janguiê Diniz.

Para ele, as duas prioridades da gestão Mendonça em curto prazo devem ser o Fies e a regulação do ensino superior. “No setor de educação, o grande diferencial é a volta de investimento em financiamento aos estudantes do ensino superior. As restrições no Fies e o corte do Pronatec causaram uma grande evasão”, disse Diniz, que é controlador da Ser Educacional, uma das maiores empresas de educação do país.

O presidente do fórum que representa entidades do ensino superior privado, Paulo Cardim, disse que o “governo precisa informar qual o real orçamento do Fies. Mesmo que seja pouco, é preciso saber de antemão para ter planejamento para investir”.

Ele criticou o modelo de regulação no ensino superior privado, que tem três etapas: avaliação, regulação e fiscalização. “Hoje, só temos a regulação e a fiscalização”, disse.

Cardim acredita que a ocupação do cargo por um político sem conhecimento no setor não é um problema e que o importante é ter um boa equipe de técnicos, que conheçam a área. “O mais importante é a composição da equipe técnica do novo ministro. Só com isso é possível fazer uma avaliação”, afirmou ao jornal.

Para Cardim, “o governo precisa priorizar de fato a educação. É preciso ações efetivas porque há várias leis como o Plano Nacional de Educação (PNE) e a Lei do Sinaes (legislação que regulamenta as avaliações no ensino superior) que só existem no papel”.

Na terça-feira da semana passada, representantes das instituições de ensino superior reuniram-se com Temer. No encontro, que teve a presença dos presidentes dos maiores grupos de ensino superior privados (Anima, DeVry, Estácio, Kroton, Laureate e Ser Educacional), os temas debatidos foram o Fies e a representatividade do setor privado no ensino superior. No encontro, ele se propuseram a oferecer salas de aula no período da tarde (quando em geral estão vazias) para jovens carentes ou para educação para adultos.  Segundo Janguiê, Temer recebeu bem as demandas.

UNE

Em nota, a União Nacional dos Estudantes (UNE) voltou a criticar o impeachment da presidente afastada Dilma Roussef. “Ao determinar o afastamento da presidenta da República legitimamente eleita Dilma Rousseff por meio do golpe de um processo apodrecido de impeachment, o Senado Federal aprofunda a ferida aberta na democracia nacional”.

A entidade, que se diz representante dos milhões de universitários e universitárias do país, anunciou “que não reconhecerá o governo de Michel Temer”. A UNE encerra a nota afirmando que o “Brasil não anoitecerá mais uma vez”.

Charge do Mendonça Filho no seu site

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