by /0 comments

Número de alunos das classes baixas permanece estável nas universidades federais

Cerca de 43% são das classes C, D e E, mostra um levantamento da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes)
Uma pesquisa sobre o perfil dos estudantes das universidades federais revela que o percentual de alunos das classes mais baixas permaneceu estável em 2010 na comparação com dados de 1997 e 2003. Cerca de 43% são das classes C, D e E, mostra um levantamento da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) realizado com 22 mil alunos de cursos presenciais.

Em entrevista à Agência Brasil, o presidente da Andifes, João Luiz Martins, se não houvesse as políticas afirmativas e a expansão das vagas, o atendimento aos alunos de baixa renda teria diminuído.

Ele destaca que se forem considerados os estudantes com renda familiar até cinco salários mínimos (R$ 2.550), o percentual das classes C, D e E chega a 67%.

A pesquisa mostra que o percentual de alunos de baixa renda é maior nas instituições de ensino das regiões Norte (69%) e Nordeste (52%) e menor no Sul (33%). Revela ainda que a inclusão dos mais pobres é menor em cursos mais concorridos como medicina, direito e as engenharias.

Apesar das políticas afirmativas direcionadas para a população negra, esse público é minoria nas universidades federais. Apenas 8,72% dos alunos são pretos e 32%, pardos. Os brancos são 53,9% e os indígenas menos de 1%. Em relação à pesquisa anterior produzida pela Andifes em 2003, menos de 6% dos alunos se declaravam pretos e 28,3%, pardos.

Para o presidente da associação, a evolução do número de pretos é “tímida”. Ele defende a necessidade de políticas afirmativas mais agressivas para garantir a inclusão. “A universidade tem uma dívida enorme em relação a isso. Há necessidade de ampliar essas ações [de inclusão] porque o atendimento ainda é muito baixo”, disse à agência de notícias do governo federal.

A Andifes é contra uma legislação que determine uma política comum para todas as instituições, como o projeto de lei que tramita no Senado e determina reserva de 50% das vagas para egressos de escolas públicas. “Cada um de nós tem uma política afirmativa mais adequada à nossa realidade”, afirmou.

O estudo mostra que os alunos egressos de escolas públicas são 44,8% dos estudantes das universidades federais. Mais de 40% cursaram todo o ensino médio em escola privada.

O reitor da Universidade Federal do Pará (Ufpa), Carlos Maneschy, disse que na sua instituição metade das vagas do vestibular é reservada para egressos da rede pública. Desse total, 40% são para estudantes negros. Ele acredita que nos próximos anos a universidade terá 20% de alunos da raça negra. “Antes, nem 5% eram de escola pública”, afirmou.

Para 2012, a Andifes reivindica ao Ministério da Educação (MEC) que dobre os recursos destinados à assistência estudantil para garantir a permanência do aluno de baixa renda. A previsão é que a verba seja ampliada dos atuais R$ 413 milhões para R$ 520 milhões, segundo a entidade. “Em uma família com renda até cinco salários mínimos, com três ou quatro dependentes, a fixação do estudante na universidade é um problema sério”, diz Martins, que é reitor da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop).

O estudo identifica que 2,5% dos alunos moram em residência estudantil. Cerca de 15% são beneficiários de programas que custeiam total ou parcialmente a alimentação e um em cada dez recebe bolsa de permanência. A pesquisa mostra ainda que 56% dos alunos das universidades federais utilizam o transporte público para ir à aula. Pouco mais de 18% vão de bicicleta, a pé ou de carona e só 21% usam transporte próprio.магазин он лайнмужская косметичка купить киевRoyale