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Número de analfabetos funcionais fica estável em 30,5 milhões

No Norte, a taxa aumentou de 24% em 2009 para 25,3% em 2011. Desigualdade regional ainda é marcante
Enquanto a taxa de analfabetismo entre pessoas com 15 anos ou mais caiu de 9,7% em 2009 para 8,6% em 2011, totalizando 12,9 milhões de brasileiros, o mesmo não acontece com o analfabetismo funcional. Segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2011, divulgada sexta-feira, dia 21 pelo IBGE, o número de analfabetos funcionais ficou estável em 20,4% da população, ou seja, 30,5 milhões de brasileiros de 15 anos ou mais tem menos de 4 anos de estudo completos.

No Norte, a taxa aumentou de 24% em 2009 para 25,3% em 2011. As Regiões Nordeste, Sudeste, Sul e Centro-Oeste não apresentaram variação significativa nesse período de comparação.

Em relação ao analfabetismo, a maior proporção ainda está no Nordeste, mesmo com queda na taxa de 18,8% para 16,9%. Segundo a Pnad 2011, 96,1% dos analfabetos do país têm 25 anos ou mais. Mais da metade deles se concentram na faixa acima de 50 anos.

A gerente da Pnad, Maria Lúcia Vieira, destaca a desigualdade regional na taxa de analfabetismo. De acordo com os dados, 35,6% das pessoas no Nordeste com 50 anos ou mais eram analfabetas em 2011. “As taxas de analfabetismo para as populações até 24 anos são muito baixas, no Sul e no Sudeste, não chega a 1%. Elas são maiores quando a gente vai para as regiões Norte e Nordeste e conforme a faixa etária vai aumentando”, disse ela, de acordo com a Agência Brasil.

A pesquisa aponta ainda que houve aumento na instrução entre pessoas com 25 anos ou mais. A proporção de brasileiros com ensino fundamental completo subiu de 8,8% para 10%. No ensino médio, passou de 23% para 24,5% e no ensino superior, de 10,6% para 11,5%.

A taxa de escolarização das crianças de 6 a 14 anos foi de 98,2% em 2011, um aumento de 0,6 ponto percentual em relação a 2009. Para os jovens de 15 a 17 anos, no entanto, o percentual dos que frequentavam escola caiu de 85,2% para 83,7% no período.

O presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Luiz Cláudio Costa, considerou “significativa” a redução da taxa de analfabetismo. “A redução mostra que o Brasil está caminhando para alcançar a Meta de Dakar [estipulada pelo Fórum Mundial de Educação de Dakar, em 2000, e que deve ser alcançada até 2015] de reduzir para 6,5% os índices de analfabetismo no país”, disse à agência de notícias do governo federal.

Segundo ele, a dificuldade em erradicar o analfabetismo entre a população mais velha acontece, entre outros motivos, por barreiras culturais. “Atingir pessoas com a faixa etária alta é difícil, mas essa queda mostra que os trabalhos dão resultado. Nos últimos anos, as quedas não foram como esperávamos. É uma maratona, mas estamos falando de uma redução de mais de um ponto percentual”, analisou.

O coordenador-geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, cobrou articulação entre prefeituras, estados e governo federal. “Os desafios educacionais da Região Nordeste devem ser superados pela colaboração do governo federal em parceiras intensas com estados e municípios. Superar o analfabetismo é questão urgente e complexa, por isso exige políticas robustas e capazes de fazer sentido para os cidadãos que não conseguiram se alfabetizar”, afirmou.

Segundo ele, “o dramático” na pesquisa é “que boa parte da população brasileira acima de 25 anos é composta por cidadãos que não tiveram respeitado seu direito à educação, pois 31,5% não completaram nem o ensino fundamental”.

Ele reiterou a necessidade de um investimento de 10% do PIB na educação pública, como consta no Plano Nacional de Educação que agora está em debate no Senado. “Dessa forma vai garantir o padrão mínimo de qualidade para as matrículas novas e para as atuais”, disse.

A diretora executiva do movimento Todos pela Educação, Priscila Cruz, acredita que o critério usado pelo IBGE para definir analfabetismo não leva em conta a proficiência dos alunos em leitura e escrita. “O IBGE olha os jovens e adultos com mais de 15 anos, aqueles que têm quatro anos ou mais de escolaridade já é considerado alfabetizado. Mas como a gente tem uma qualidade de educação muito ruim no Brasil, o que acontece é que tem muita criança de 11, 12 anos, jovem que está no ensino médio com 15, 17 anos, que ainda é analfabeto. Infelizmente isso ainda é uma realidade no nosso país”, afirma.

Ela admite avanços, mas em ritmo lento. “A gente vem melhorando só que num ritmo muito lento. Se a gente tivesse num patamar mais alto, melhorar lentamente não seria tão ruim. A gente está num patamar muito baixo e melhorando muito lentamente, vai demorar muito pra gente conseguir garantir o direito de todos os alunos a ter educação de qualidade”, afirmou à Agência Brasil.лобановский александр игоревич классмихаил безлепкин сотрудниккупить браслет детский