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Número de escolas públicas integrais cresce 630%

Apesar do aumento, o ensino básico integral atende apenas 3 milhões dos 45 milhões de alunos matriculados na rede pública, informa O Estado de S. Paulo

Desde que a educação integral nos Estados e Municípios passou a contar com mais financiamento do governo federal através do programa Mais Educação, entre 2008 e 2010, o número de escolas integrais passou de 1.378 para 10.050, um crescimento de 630%, informa O Estado de São Paulo. Apesar do aumento, o ensino básico integral atende apenas 3 milhões dos 45 milhões de alunos matriculados na rede pública.

O jornal destaca que a criação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), em 2006, garantiu um aumento de recursos de 25% para o fundamental e 30% para o médio para as escolas com mais de sete horas de aula. Em 2009, uma pesquisa em 2.112 municípios mostrou que 500 (23,7%) já trabalham com jornada ampliada.

A reportagem de Mariana Mandelli lembra ainda que o Brasil está entre os países onde as crianças passam menos tempo na escola. Segundo levantamento da Unesco divulgado em janeiro, na rede pública a média de horas por dia é de 4,5 no ensino fundamental e de 4,3 no médio.

Além do programa do governo federal, o diário cita três cidades que têm programas próprios de educação integral no País: Sorocaba (SP), Palmas (TO) e Apucarana (PR) – apontadas pelo MEC como bons exemplos.

A repórter ouviu três educadores, um integrante de um fundo social de um banco e uma escola sobre o Mais Educação, que oferece 71 atividades, divididas em dez áreas, com oficinas de vídeo, banda de fanfarra, artes marciais, xadrez, grafite, entre outros.

A pesquisadora Eloisa de Blasis, do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária, afirma que educação integrada precisa estar de acordo com o projeto pedagógico da escola. “A educação integral deve olhar o aluno em suas múltiplas dimensões, da social à cognitiva. A escola deve ter clareza pedagógica para saber aonde quer chegar com o projeto”, disse.

Na opinião da professora Gilda de Araujo, da pós-graduação em Educação da Universidade Federal do Espírito Santo, alguns projetos sofrem com interesses privados, já que as escolas procuram parcerias com entidades, igrejas e empresas. Ela defende “a consolidação de um projeto real e abrangente”, já que o Brasil é muito heterogêneo. “Ainda precisamos de muito financiamento”, afirmou ao jornal.

O professor Juca Gil, da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, destaca que muitas escolas ainda não têm estrutura. “Tem escola que não tem energia elétrica”, disse.

O vice-presidente da Fundação Itaú Social, Antonio Matias, disse que o “MEC deveria ter a educação integral como prioridade em termos de políticas públicas”. Para ele, “fanfarra e esportes parecem ideias pobres, pois não são tão eficazes, no sentido de aprendizagem, quanto outras ações”.

O Estado de S. Paulo visitou a escola estadual Gabriela Mistral, na zona norte de São Paulo, onde 250 dos 821 alunos têm aulas e atividades entre 7 e 16 horas todos os dias, desde 2006. Ela aderiu ao programa do governo federal apenas em setembro de 2009. “A alimentação e as oficinas acabam atraindo as famílias, já que a comunidade do entorno é carente”, disse o vice-diretor Dinael Pena.

À tarde, os alunos usam o laboratório de informática, ensaiam com a banda de fanfarra, ouvem palestras sobre saúde e qualidade de vida, participam de atividades recreativas e artísticas (como teatro e dança). Há também horário reservado para leitura e aulas de reforço para português e matemática. “As crianças ficam muito cansadas, mas adoram. Antes estarem aqui dentro que lá fora, sem fazer nada. Além de estudarem mais, elas estão se tornando pessoas melhores e se desenvolvendo”, disse Pena ao jornal.

Segundo o vice-diretor, a verba do MEC deve chegar até o fim do mês e vai ser usada na comprar instrumentos musicais, ferramentas para uma horta e materiais para aulas de reforço e caratê.

Leia a íntegra da matéria de O Estado de S. Paulo

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