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O brasileiro está lendo menos… nem todos!

Recente pesquisa, Retrato da Leitura no Brasil, divulgada na última quarta feira, 28 de março, pelo Instituto Pró-Livro, em parceria com o Ibope Inteligência revela que o número de brasileiros considerados leitores, ou seja, que haviam lido ao menos uma obra nos três meses anteriores à pesquisa caiu de 55% da população estimada, em 2007, para 50%, em 2011. No meio desse número, pré-adolescentes de 11 a 13 anos leram 6,9 em 2011 ante 8,5 registrados no levantamento de 2007. E entre adolescente de 14 a 17, os números registram 5,9 livros lidos em 2011, ante 6,6 livros em 2007.

Em algumas escolas da capital paulista, esses números, no entanto, não conferem. O Ítaca, localizado na região oeste, é um desses colégios que vão à contramão dessa tendência. Lá, “os alunos do 1º ano do ensino médio são apresentados a uma seleção literária, que discute os grandes dramas humanos em períodos distintos”, revela a diretora pedagógica do EM, Mercedes Ferreira, “De Sófocles, autor que viveu 427 anos antes de Cristo, a Balzac, escritor do século 19”. Os alunos revisitam a tragédia grega Édipo Rei, de Sófocles, conflito de um destino com o livre arbítrio, que provoca reflexões dentro da ética aristotélica. Leem, ainda, Antígona. Em seguida conhecem Otelo – O mouro de Veneza, de William Shakespeare, e se deparam com um caso emblemático de ciúme doentio.

Com o romance Os sofrimentos do jovem Werther, de Goethe, os jovens leitores mergulham na tragédia vivida pelo personagem principal, vítima de uma paixão incontrolável por uma mulher já prometida a outro homem. Os alunos conhecem ainda, as Ilusões Perdidas, de Honoré de Balzac, uma descrição cosmopolita da Paris do século 19. Brasileiros também são contemplados, como José J. Veiga, com Sombras de reis barbudos, ou Nelson Rodrigues, de Vestido de noiva, entre outros. “E o que pode, à primeira olhada, parecer uma reunião aleatória e sem eixo, na verdade é um passeio (pretendido,propositado) por uma literatura da qual, muitas vezes, não se fala muito hoje”, detalha Mercedes Ferreira.

Sempre após as leituras, desenvolvem-se nas aulas de literatura e filosofia rodas de discussão e reflexão para a produção de pequenos ensaios. “Discutimos com os alunos o porquê de esses clássicos existirem e até hoje serem tão importantes para a formação de um sujeito”, completa a coordenadora pedagógica.

O Colégio Equipe, em Higienópolis, é outro que também discorda dos números do recente levantamento. Os alunos, do infantil ao fundamental, estão lendo tanto, que agora resolveram produzir as suas próprias obras. No próximo dia 26/05, O Equipe abre para as famílias e à comunidade a sua Mostra Literária 2012 com toda a produção dos alunos.

Durante o evento haverá rodas de leitura, lançamento de livros dos alunos e exposição. Versos rimados, parlendas, adivinhas, trava-línguas, contos, fábulas, notícias, biografias, biografias fictícias, verbetes sobre monstros, crônicas, histórias e seres fantásticos integram a diversidade de gêneros que o colégio trabalha e estarão presentes na mostra.

Já na Escola Carlitos, região central de São Paulo, um dos eventos mais tradicionais é a Semana Literária, que, a cada edição, ganha um novo tema central. Em 2012, por meio de acordo entre os dois governos, será celebrado o Ano de Portugal no Brasil, que tem por objetivo promover encontros que pretendem intensificar as relações culturais, científicas e tecnológicas entre os dois países. “Nossa Semana Literária foi pensada para corroborar essa intenção”, afirma Laura Piteri, diretora pedagógica da Carlitos. Intitulada “Conta-me lá: um encontro com a literatura portuguesa”, a semana prevê uma série de atividades literárias.

Os alunos estão, desde o começo das aulas, em fevereiro, dando um verdadeiro mergulho na literatura lusa, visitando alguns dos autores mais expressivos de Portugal. António Torrado, Sofia de Mello Breyner, Miguel de Sousa Tavares, Alice Vieira e Saramago são alguns dos nomes estudados. “O contato com esses autores foi intenso. Os alunos discutiram não só o aspecto linguístico, mas também questões culturais presentes nas histórias; fizeram comparações com o português do Brasil no que se refere ao uso de palavras existentes lá e cá, porém, que têm um significado diferente. Além das biografias, é claro”, relata Piteri.

Toda essa imersão e os produtos literários dela decorrentes serão apresentados na Semana Literária, entre os dias 9 e 14 de abril. Sarau de poesias, contação de histórias pela portuguesa Adélia Carvalho, ateliê de escrita, recital de lengas-lengas (parlendas) e leitura dramatizada estão no menu literário.legal translatorкак правильноslots games