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Novo ministro reconhece que a educação é o problema estrutural mais grave do Brasil

Dar mais dinheiro para a escola que atingir a meta de alfabetizar os alunos aos 8 anos e mudar a correção da redação do Enem foram os pontos destacadas pelos três jornais que entrevistaram o novo ministro da Educação, Aloízio Mercadante. O Globo, O Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo publicaram as entrevistas no último sábado, dia 11.

O ministro evitou se posicionar sobre o percentual de investimento em educação a ser aprovado no Plano Nacional de Educação, mas defendeu o uso de parte do dinheiro do pré-sal.

Mercadante também voltou a defender o uso das tecnologias de informação nas escolas, admitiu que há lentidão na construção de creches e reconheceu que não será possível erradicar o analfabetismo no atual governo.

O novo ministro reconheceu que a educação é “o problema estrutural mais grave do Brasil” e prometeu priorizar a alfabetização das crianças. “O primeiro grande desafio educacional do Brasil, que vai ser uma das marcas e prioridades da nossa gestão, é alfabetizar na idade certa”, disse.

Bônus

Ele disse que o projeto de conceder um bônus ainda está em estudo e uma das ideias é dar dinheiro para a escola que conseguir atingir a meta de alfabetizar todo os alunos até os 8 anos. “É muito mais barato aprimorar as condições para as escolas alfabetizarem na idade certa do que tentar recuperar as crianças que não aprenderam a ler e escrever”, afirmou.

Para garantir o sucesso da medida, o ministro informou que vai “criar uma metodologia de avaliação pedagógica das crianças”.

Mercadante destacou que o programa pretende motivar “as prefeituras para colocar os melhores professores nas salas de aulas, que haja bônus nesse processo para o desempenho da escola e um processo de monitoramento, com avaliação pedagógica”.

Idade certa para ler e escrever

Na opinião dele, o programa de alfabetização na idade certa vai acabar com “a indústria da repetência, que é o reconhecimento do fracasso pedagógico” e também “superar a aprovação automática”, quando o aluno não domina as habilidades necessárias, mas passa de ano.

O ministro admitiu que não conseguirá erradicar o analfabetismo e recorreu à presidenta Dilma para justificar. “Temos de ser realistas: eleger prioridades e saber o que é uma herança muito antiga. A presidenta diz que sempre precisamos estabelecer metas como quem lida com arco e flecha: mira um pouco mais acima para acertar o alvo. A meta assumida pelo governo em Dacar é chegarmos a 2015 com 6,7% de jovens e adultos analfabetos – temos 9,6%”, disse.

Enem e ranking

Aloízio Mercadante reconheceu que será preciso melhorar a gestão do Enem e prometeu duas ações: mudar a correção da redação e ampliar o banco de questões da prova. “O Enem é critério de meritocracia num Estado republicano, especialmente entre os mais pobres”, afirmou.

Para ele, o Enem precisa de no mínimo 50 mil questões – hoje são 6 mil. “Precisamos de um banco com um volume grande de questões. Nos EUA, há mais de 100 mil questões. Se tivéssemos 50 mil, não teríamos mais dificuldade. Estamos constituindo uma comissão de técnicos do Inep e especialistas em avaliação para discutir a metodologia da prova”, afirmou.

Sobre a correção da redação, o ministro disse que uma das hipóteses é colocar mais avaliadores. Hoje são dois e em caso de disparidade, um terceiro também faz a correção. “Vamos aumentar o rigor e a convergência na análise para ter mais objetividade na redação, que é um dos pontos vulneráveis no sistema”, afirmou.

O ministro da Educação evitou se comprometer com a realização de dois exames em 2013. “Estamos trabalhando nessa possibilidade, mas primeiro vamos resolver o problema da ampliação do banco (de questões)”, disse.

Ele defendeu a divulgando de notas por escolas e consequente formação de rankings. “Os pais não podem saber o que está acontecendo com os alunos se não houver um ranqueamento. Quando você compara, permite uma discussão de metas e de qualidade. Metas são fundamentais para que o sistema possa evoluir”, defendeu.

Creches

Mercante admitiu ainda dificuldades para atingir a meta de construir 6 mil creches no governo Dilma e não soube dizer quantas estão prontas. “Não temos essa resposta hoje”, afirmou. Ele culpou a “performance lenta” das prefeituras pela demora na construção das creches. “Estamos com um problema. O governo antecipa o pagamento para as prefeituras, mas as creches estão demorando”, justificou.

Para apressar as creches, o ministro anunciou que está fazendo “uma pesquisa sobre novos meios construtivos, estrutura pré-moldadas, abrir opção para os prefeitos, com custo competitivo, fazer algum tipo de pregão eletrônico de serviços de engenharia”, sugeriu.

Tablets

O ministro da Educação evitou comentar o estudo encomendado pela Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), no qual o programa um computador por aluno é criticado, e reiterou que vai dar prioridade à inclusão digital nas escolas.

“Para a parcela da população mais pobre, a única opção de acesso verdadeiro é a escola. Não queremos um apartheid digital, como tivemos um apartheid educacional no passado”, disse. Segundo ele, a “reflexão internacional demonstra que o computador na escola deve começar pelo professor”.

O novo titular do MEC rebateu a ideia de que o MEC está apressando a compra de 600 mil tablets para os professores. “Tem de ter cuidado pedagógico, tem de dar passos consistentes. Acho que o MEC está sendo cuidadoso nessa trajetória”, susentou.

Investimento

Sobre a polêmica entre investir 7% do PIB em educação, como quer o governo, ou 10%, como defende o movimento social, o ministro preferiu citar os recursos do pré-sal. “O que podemos fazer era vincular pelo menos 30% dos recursos do pré-sal para educação, ciência e tecnologia”, afirmou.

Aloízio Mercadante confirmou ainda que pretende aplicar neste ano um prova nacional de docentes, para criar um banco nacional de profissionais e ajudar os Estados e Municípios menores na hora de contratar professores. “Vamos fazer neste ano, acho que a ideia está bem amadurecida. Pretendemos que essa prova ajude a motivar professores para trabalhar em municípios de baixo desempenho na educação e em áreas de risco. Seria uma oportunidade para atrair bons professores para essas áreas. É isso que vai mudar a qualidade da educação”, acredita.

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