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Obesidade infantil – Como posso ajudar meu filho?

Por Beatriz Guimarães *

A obesidade infantil é um tema que têm preocupado profissionais da área, pais e professores, por já ter passado em porcentagem a subnutrição e continuar crescendo cada vez mais. Um fator importante, dentre vários, que explica a obesidade infantil é o hábito que o adolescente tem de omitir refeições, especialmente o café da manhã, associado ao consumo de refeições rápidas como as “junk food”.

Este é um comportamento inadequado que pode contribuir para o desenvolvimento da obesidade. Também existe a realidade dos dias de hoje, na qual as crianças e os adolescentes ficam mais tempo dentro de casa, ou porque seus pais trabalham ou devido à violência das cidades grandes.

Assim, passam a se movimentar menos. Sentam durante horas em frente à televisão, ao computador ou ao videogame. E quando saem de casa, são levados de carro. Sendo assim, fazer exercícios físicos virou uma questão de livre-arbítrio. Podemos perceber que a vida de hoje em dia contribui muito para o crescimento da obesidade.

O aumento da oferta de alimentos e do tamanho das porções somado ao sedentarismo, que está sendo estimulado cada vez mais por facilidades como vidros elétricos nos automóveis, escadas rolantes, controles remotos, entre outras, fazem com que o ganho de peso vá ocorrendo gradualmente.

Em outras épocas da história, o sobrepeso já foi valorizado. Ganhar peso e acumular gordura já foi sinal de saúde. Hoje em dia, sabemos que a obesidade não está associada nem à saúde e nem à prosperidade. Muito pelo contrário, a correlação entre a obesidade, as complicações orgânicas e a mortalidade deu ao obeso o status de doente e à obesidade o de doença que necessita de tratamento.

Por trás de uma criança obesa, quase sempre, existe uma questão psicológica que merece a devida atenção. Afinal, esta questão pode ser agravada devido a nossa cultura que exclui os gordinhos de muitas brincadeiras e atividades. Isso traz como conseqüência a piora da criança que acaba se isolando por vergonha e fazendo da alimentação uma fuga da realidade. Isto se transforma em um ciclo vicioso, no qual, quanto mais rejeitado, mais ansioso, mais come, e novamente, mais rejeitado se torna. As crianças obesas diferenciam-se dos adultos obesos por estarem numa fase de formação do seu corpo e da sua personalidade.

São elas alvo de “chacotas” dos colegas, não conseguem acompanhar outras crianças nas brincadeiras que exigem esforço físico e é o grupo vulnerável às propagandas de alimentos. Todos querem o melhor para seus filhos, mas será que o fazem devidamente? Qual a melhor maneira de fazer com que a criança perca peso e mantenha o peso perdido? Em primeiro lugar, os pais devem ser modelos a serem seguidos. Ou seja, a reeducação alimentar tem que partir de pais para filhos.

Não adianta preparar uma comida saudável apenas para a criança obesa e os outros membros da família comerem uma pizza, porque a mensagem que passa é a seguinte: “você é diferente de nós; você é gordo e não pode comer o que nós comemos”. Isso faz com que a criança se sinta sozinha nesta luta e comece a sentir o preconceito de que é diferente dos outros, já dentro da própria casa. Antes disto, é necessário que os pais abasteçam as geladeiras e os armários com alimentos saudáveis para os pequenos lanches da manhã ou da tarde, como os com alto teor de fibras, baixo teor de gordura e baixo valor calórico.

Isso porque, inconscientemente, os pais determinam o fracasso dos filhos comprando bolachas, salgadinhos, chocolates, bolos. Afinal, se só existem esses alimentos em casa quando as crianças estão com fome, como obterão sucesso? Uma outra dica importante é que os pais sejam positivos, focando sempre no que a criança pode e deve fazer e não no que ela não pode fazer.

Assim, ao invés de dizer “você não pode tomar refrigerante”, diga “vamos tomar um suco?”. Também é essencial que a família faça as refeições juntas sempre que possível e as refeições devem ser servidas em porções controladas e não nas panelas ou travessas, impedindo que a criança se sirva de quantidades exageradas ou que repita além do necessário.

Tudo isso sem esquecer os exercícios físicos que podem ser estimulados pelos pais através de uma ida ao parque para andar de bicicleta com a mãe, de uma partida de futebol com o pai, de uma brincadeira de pega-pega com os irmãos, etc. Para finalizar, é necessário ter em mente que o sucesso do tratamento depende exclusivamente de uma modificação na dieta da família, do planejamento de atividades físicas e, é claro, do envolvimento familiar.

* Psicóloga com especialização em psicologia analítica e abordagem corporal. Atende crianças e adolescentes com problemas de obesidade no Hospital Infantil Darcy Vargas. Trabalha na Elipse Clínica Multidisciplinar fazendo diagnóstico e psicoterapia de crianças, adolescentes e adultos.

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