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Pais indisciplinados

Por Geiva Glock Timoner *

Um dos temas mais presentes nas discussões sobre educação é a indisciplina. Falamos de como os alunos se comportam, o modo como falam e, em especial, da sua falta de limites. Chama nossa atenção o modo como nossos alunos ou filhos se comportam. De forma saudosa, comparamos o movimento de hoje com os tempos de outrora: era mais fácil ser pai (ou mãe), um filho não levantava a voz para seu pai ou professor, desobedecer a uma ordem de um professor era impensável.

Convivemos hoje com alunos que mostram dificuldade em ouvir a palavra não. Entender que nem tudo é possível ou que não podemos ter tudo que desejamos no momento em que queremos parece ser um árduo desafio. Os jovens parecem não entender o perigo de sair de casa sem hora para voltar, ir a uma festa e beber sem ter um responsável acompanhando, “ficar” com alguém, compartilhando intimidades, sem cuidados pessoais mínimos.

Situações que nossos pais nem sonhavam em vivenciar apresentam-se hoje como corriqueiras para inúmeros pais de adolescentes. É nesse momento que muitos pais perdem a noção do que é adequado (ou não) para as diferentes faixas etárias. A confusão envolve a capacidade de deliberar sobre o que um filho pode ou não fazer. A escola, como sempre, parceira dos bons e maus momentos, acaba por ser inserida neste processo.

Cabe a ela decidir, em muitos momentos, o que a família deveria fazer. Cabe a escola orientar sobre decisões que nossos pais achariam banais. Por exemplo: como fazer para que o filho arrume o quarto? Como dizer que o filho não pode comprar um último lançamento caríssimo, se todos os amigos já compraram? Conseqüentemente, o que seria uma situação ou conflito familiar, torna-se um problema educacional. O adolescente que não arruma o quarto ou não aceita limites dos pais é aquele que questiona o professor e não aceita suas regras.

A aluna que tenta questionar as regras de casa é aquela que critica coordenação ou professores que observam falhas ou displicência em suas atitudes na escola. Por sua vez, os pais destes alunos tornam-se aqueles que cobram da escola uma postura e regras firmes, a lição de casa e as tarefas organizadas. E, caso não sejam atendidos imediatamente, agridem e recorrem a todo tipo de medida para que seus filhos sejam atendidos satisfatoriamente. Generalizações à parte, os pais perdidos e amedrontados, são os grandes mobilizadores da indisciplina em nossas salas de aula.

Os filhos, pequenos ou grandes, desafiam a escola em busca do limite e da continência que os pais não podem oferecer. Os pais culpam a escola por uma função que é deles e reclamam de atitudes que caberiam a eles próprios. A escola fica pressionada entre questionar e orientar estes pais e devolver a eles o que a eles pertence.

A função de educar é dos pais e da família. A escola não deve se isentar deste trabalho, mas não pode assumir limites que não lhe cabem. Por uma questão de mercado, marketing ou ideologia, isto acaba muitas vezes ocorrendo. Neste caso, é preciso entender que esta é uma nova indisciplina.

Não basta trabalhar as questões de aprendizagem. A nova indisciplina surge da falta de limites claros por parte dos adultos, da confusão entre dar tudo que se pede e não saber dizer sim ou não. A nova indisciplina aparece de um vazio, que precisa desesperadamente de adultos sensatos para preenchê-lo.

Em encontros com pais de adolescentes ou crianças, o Grupo Escuta busca fortalecer o grupo para que eles possam dar sustentação ao projeto de vida de seus filhos. Muitas vezes, trocando experiências com outros pais da mesma faixa etária, ouvindo suas inquietações, escutando suas angústias, torna-se mais fácil assumir uma posição e defendê-la. O desafio é escutar a si próprio e às demandas da família.

 

Psicóloga, especialista em psicopedagogia. Atua como Coordenadora Pedagógica de escola particular e é integrante do Grupo Escutaдетектор лжи на русскомсупермаркет лобановский класссколько стоит пескоструйный аппарат

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