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Para que serve o Ensino Médio? Nem para passar no Enem nem no vestibular

Para que serve do Ensino Médio? A maior parte de professores, pais e alunos respondem: Para passar no vestibular!

As políticas públicas não ajudam muito a mudar e repensar a identidade deste ciclo da educação, faz anos que o Enem e vestibular são a motivação de estudar 13 disciplinas e conteúdos sem sentido.

Com esse foco o gargalo se aprofunda, muitos não querem ou não tem condição de entrar em uma faculdade. Outros não conseguem acompanhar as 13 disciplinas em 3 anos. Este deveria ter sido um dos motivos que levaram a equipe do Ministério da Educação em poucos meses enviar a MP para o Congresso e propor flexibilização do currículo e o tempo integral.

Pronto tudo resolvido!! Ampliamos a carga horária, minimizamos as disciplinas e o foco fica na especialização.

As medidas enviadas ao Congresso sem discussão e sem o cuidado devido aos professores, alunos e sociedade pode ter consequências ainda mais desastrosas do que se encontra a educação. Isso ratifica tudo o que foi feito no início do governo. Tira Ministério da Cultura e agora tira a arte, não se discute gênero e coloca a mulher sem qualificação para ocupar Ministério e agora tira sociologia e filosofia que discute essas questões. Assistimos as 2 Olimpíadas com heróis que participaram sem apoio algum a vida toda e outros que não foram por não terem mostrada na escola suas aptidões, isso não basta, tira Educação Física e o cuidado com o corpo, saúde, trabalho em equipe e disciplina tornam-se dispensáveis.

Se o objetivo é especializar o jovem para o mercado estamos na contramão, pois o que precisamos é de uma educação interdisciplinar, um jovem capaz de pensar de forma holística e não fragmentada.

Para

Criatividade, crítica, comunicação, autonomia, capacidade de conviver com a diversidade e ética são fundamentais para uma sociedade democrática. Ao retirar Arte, Educação Física, Sociologia e Filosofia tornamos o currículo medíocre e sem conexão com as necessidades da sociedade do século XXI.

O que está proposto tem sintonia com a o operário da Revolução Industrial com uma sociedade fabril, mecânica e repetitiva, a sociedade contemporânea não precisa de repetidores e reprodutores de informações, mas sim de jovens que saibam usar o conhecimento de forma crítica e reflexiva. Passa pela minha cabeça que temos pessoas envolvidas nesta MP que tem saudade da educação da década de 70.

Propor escola em período integral sem projeto só pode ser má fé ou muita desinformação. Se até o momento ficar na escola é, geralmente chato, assistir aula é enfadonho, imaginem um adolescente ficar 7 horas por dia numa escola que não tem um projeto discutido amplamente e que diversifique as atividades.

Com um governo que coloca o aluno numa escola que dará formação medíocre, pois em nenhum momento os protagonistas da educação; professor e aluno, foram ouvidos, não foram priorizados para saber o que precisam e o que desejam, quais seus sonhos para a vida.

Não teremos atletas eficientes, não teremos artistas, não teremos cidadãos críticos e reflexivos.

Esse é o objetivo e o perfil de jovem que estamos desenhando. Que cidadão queremos colocar na sociedade do século XXI? Para que serve o Ensino Médio?

Nem para passar no Enem e vestibular.

Cláudia Coelho Hardagh é professora do programa de Pós-graduação Educação, Arte e História da Cultura da Universidade Presbiteriana Mackenzie

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