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Pesquisa mostra que 49% dos professores não recomendam a profissão

Metade dos professores brasileiros não recomenda a própria profissão por considerá-la desvalorizada, de acordo com pesquisa divulgada nesta segunda-feira (30). Os dados são da pesquisa “Profissão Docente”, iniciativa do Todos Pela Educação e do Itaú Social realizada pelo Ibope Inteligência em parceria com a Conhecimento Social.

O levantamento entrevistou 2.160 professores da Educação Básica das redes públicas municipais e estaduais e da rede privada de todo o país. A amostra respeitou ainda a proporção de docentes em cada rede, etapa de ensino e região do País, segundo os dados do Censo Escolar da Educação Básica (MEC/Inep).

“Mais do que desafios, os resultados da pesquisa revelam oportunidades para a valorização docente que são factíveis e podem ser alcançadas em um período de curto e médio prazo, uma vez que a Educação seja, de fato, prioridade na gestão, e o professor seja entendido como ator central de um projeto de educação”, afirma Priscila.

De acordo com a pesquisa, dois terços dos entrevistados são mulheres, com média de 43 anos de idade e 17 de carreira.

Escolha da carreira

De acordo com o estudo, os fatores de decisão pela carreira indicam principalmente uma escolha consciente, relacionada mais ao prazer por ensinar e transmitir conhecimento, mas para pouco mais de um terço dos entrevistados foi também uma questão de falta de outras opções.

Entre os entrevistados, 49% dos entrevistados “certamente não recomendariam” a profissão para um jovem. Entre algumas das palavras mais usadas pelos professores para as razões de recomendação ou não da profissão docente, se destacam as relacionadas à não recomendação, como a valorização, o salário e o reconhecimento.

Gestão nas redes

Segundo a pesquisa, os professores entendem que é papel da Secretaria de Educação oferecer oportunidades de formação continuada (76%), mas não concordam que os programas educacionais como um todo estão bem alinhados à realidade da escola (66%). Apontam ainda que falta um bom canal de comunicação entre a gestão e os docentes (64%), e que não há envolvimento dos professores nas decisões relacionadas a políticas públicas (72%). Também consideram aspectos ligados à carreira mal atendidos, como o apoio à questões de saúde e psicológicas (84%), e o salário (73%).

Renda

Em média, a renda pessoal verificada foi de R$ 4.581,40 (4,8 salários mínimos). Ainda segundo o levantamento, quase um terço dos professores afirmaram realizar algum tipo de atividade para complementar sua renda, principalmente na rede particular e no ensino médio. Em média, o incremento na renda é de R$ 439,72.

Instituto Singularidades

A coordenadora  pedagógica do Instituto Singularidades, Cristina Barelli, explica que ainda há muita defasagem nas questões de leitura e escrita, mas é um perfil de um aluno que quer muito superar essas deficiências e tem um compromisso muito grande em se formar um bom profissional .

A aluna do Singularidades, Maristela dos Santos, 32 anos e mãe de 5 filhos, explica porque quer ser professora. “Eu quero uma melhor uma melhor escola na periferia, nas comunidades. Este é o meu objetivo. Eu quero um país melhor. Eu quero contribuir para um país melhor. E a educação é a base para isso”, diz ela, em reportagem do Jornal Nacional, da TV Globo.