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Pesquisa mostra que escola reduz reincidência de adolescentes infratores

Estudo revela que 60,2% deles não freqüenta a escola e cerca de 43,2% abandonaram os estudos por desinteresse

Mais recursos para capacitar os professores, salas de aula com número reduzido de alunos e apoio psicológico. Estas são algumas das receitas para que a escola consiga diminuir o número de reincidências dos jovens infratores, revela um estudo feito na Universidade Federal de São Carlos, informa a Agência Fapesp.

Publicado na revista Cadernos de Pesquisa, da Fundação Carlos Chagas, o estudo indica que o adolescente fora da escola está mais propenso a reincidir na infração, a usar drogas e a portar armas.

A pesquisa mostra também que os adolescentes com bom nível educacional moravam com os pais, enquanto os jovens com escolaridade mais baixa moravam apenas com o pai ou a mãe.

O trabalho traçou o perfil de 123 adolescentes submetidos a medidas socioeducativas em uma cidade no interior paulista. Mais da metade (60,2%) dos adolescentes infratores não freqüentava a escola e cerca de 43,2% deles alegaram ter saído da escola por desinteresse.

O estudo foi realizado em conjunto pelos professores Alex Eduardo Gallo, do programa de pós-graduação em Educação Especial e Laboratório de Análise e Prevenção da Violência e Lúcia Cavalcanti de Albuquerque Williams, Departamento de Psicologia e Laboratório de Análise e Prevenção da Violência.

De acordo com Gallo, um dos principais entraves para o desenvolvimento de programas educacionais voltados para adolescentes em situação de risco é o fato de eles serem vistos quase sempre apenas como autores de delitos. Os motivos que levaram o jovem a cometer o delito não são considerados.

“Quando se considera a segurança pública, a tendência é definir políticas públicas de combate ao crime, como maior repressão e redução da maioridade penal. Mas, quando se questiona o que leva um adolescente a cometer uma infração, parte-se do princípio de que as pessoas não nascem criminosas”, disse o pesquisador ao repórter Alex Sander Alcântara.

Outro problema está dentro da própria escola. O estudo aponta que os professores têm dificuldade em lidar com alunos que desrespeitam as regras, são agressivos e têm problemas de aprendizagem. “A barreira maior é a tendência de se buscar os culpados, passando as responsabilidades para outros agentes. Se algum aluno apresenta problemas na escola, a tendência é buscar motivos familiares e específicos desse aluno e não as condições da escola que podem favorecer esses comportamentos”, disse.

Segundo Gallo, a pobreza potencializa a infração, mas não o principal motivo, nem é um fator isolado. “São diversos os fatores: práticas parentais inadequadas, uso de violência nas interações familiares, violência doméstica, abuso físico e psicológico. Geralmente, os problemas familiares estão na raiz. Somam-se a isso as dificuldades da escola em lidar com esses adolescentes e se tem uma bomba que pode explodir”, afirma.

O estudo defende uma revisão das políticas de educação para esses alunos que requerem “necessidades educativas especiais”. Apesar do discurso de inclusão desses adolescentes, os jovens infratores são continuamente expulsos pelas escolas que não conseguem lidar com os desafios de seus comportamentos.

Gallo destacou que a situação tem mudado, especialmente nas universidades públicas. “Disciplinas que abordam fenômenos e processos relacionados à educação têm se destacado na formação de educadores críticos, que possam pensar o fenômeno sob uma ótica mais científica. Porém, o desenvolvimento desse senso crítico, de um olhar científico ou de aprendizado de pesquisa acaba ficando restrito às universidades públicas que prezam pela pesquisa”, disse.

A íntegra do estudo A escola como fator de proteção à conduta infracional de adolescentes

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