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Pesquisa revela grande troca de secretários de educação nos Estados

De 2007 até abril de 2010, o país teve 62 secretários. Só este ano, em função das eleições, ocorreram 13 trocas, revela o movimento Todos Pela Educação
Dos 26 Estados brasileiros e Distrito Federal, 20 já trocaram seus secretários de Educação desde o início das atuais administrações, em janeiro de 2007. Em Roraima, por exemplo, aconteceram quatro trocas de secretários, todas em 2009. É o que revela um levantamento do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), divulgado pelo movimento Todos Pela Educação nesta sexta-feira, dia 14..

De 2007 até abril de 2010, o país teve 62 secretários de Educação (o estudo não inclui a última troca no Pará – a quarta). O dado mostra 35 alterações em 40 meses. Só este ano, em função das eleições, ocorreram 13 trocas. De acordo com o Todos Pela Educação, as constantes trocas indicam que a continuidade de políticas públicas pode ficar comprometida.

Nesses 40 meses, o tempo médio de permanência no cargo foi de 28 meses. Entre os que saíram, o tempo médio foi de 20 meses. Em três unidades da federação, Distrito Federal, São Paulo e Mato Grosso, a alteração na pasta ocorreu com menos de um ano após o início da gestão.

Apenas seis secretários que iniciaram o mandato em 2007 se mantém no cargo: Acre, Ceará, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás e Sergipe.

A presidente do Consed, Yvelise Freitas de Sousa Arco-Verde, o disse ao movimento que o alto número de mudanças prejudica os estudantes. “O gestor que entra, por mais habilitado que seja, leva tempo até ter o domínio da rotina, das discussões financeiras, das relações com outros órgãos. Há dificuldades de implantar políticas de longo prazo, e muitos dos que se tornam secretários querem deixar suas marcas. Quem acaba sofrendo as consequências são as crianças, adolescentes e jovens”, disse.

Ela afirmou que as eleições deste ano explicam parte das 13 trocas de secretários em 2010, já que muitos pretendem concorrer a cargos do Executivo e do Legislativo e tiveram de se desincompatibilizar.

O presidente-executivo do Todos Pela Educação e membro do Conselho Nacional de Educação, Mozart Neves Ramos, disse que há “sempre um atropelo” na gestão. “Quando acontece uma troca, há uma descontinuidade, que pode ser mais ou menos profunda, mas é sempre um atropelo”, disse. Na opinião dele, “o ideal seria que os secretários bem avaliados permanecessem no cargo por mais tempo, para que as políticas públicas se consolidassem”.

Na visão do cientista político e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Fernando Abrúcio, o número de alterações de secretários tem dois sentidos. “Ele mostra que a área da educação tem relevância no debate público. Por outro lado, deixa o risco da descontinuidade de políticas públicas, já que o secretário é importante para o avanço na área”, afirmou ele ao Todos Pela Educação.

Leia a íntegra da reportagem do Todos Pela Educaçãoвзлом mail ruвозрождениеdeposit bonus