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Pesquisadora acusa o MEC de interromper a educação anti-racista

A professora Eliane Cavalleiro, da Universidade de Brasília, diz na Conferência Nacional que “há um retrocesso institucional no combate ao racismo”

A professora Eliane Cavalleiro, pesquisadora na área de educação e racismo da Universidade de Brasília (UnB), acusou o Ministério da Educação de ter interrompido, em 2007, as políticas de combate à desigualdade racial nas escolas. “Há uma interrupção de 2006 até 2008, há um retrocesso institucional no combate ao racismo”, afirmou em palestra realizada na quarta-feira na Conferência Nacional de Educação Básica.

Presente à conferência, o diretor do departamento de educação para diversidade e cidadania do MEC, Armênio Schmidt, confirmou a suspensão da distribuição de material didático e de ações de formação de professores, mas negou que haja retrocesso, informa a repórter Adriana Brendler, da Agência Brasil.

A professora, que foi coordenadora-geral de diversidade e inclusão educacional do MEC de 2004 a 2006, apresentou uma relação de livros e materiais editados e não publicados e disse que sua equipe no Ministério tinha mais de 20 técnicos há dois anos e hoje foi reduzida a menos da metade.

A pesquisadora disse que a política do MEC na área étnico-racial também atinge Estados e Municípios. “Na medida em que o MEC pára, as ações nos Estados e Municípios também param”, disse. De acordo com ela, a implantação de escolas em comunidades quilombolas, distribuição de material didático-pedagógico e as ações de formação continuada de professores estão comprometidas.

O diretor do MEC disse que a interrupção de alguns projetos ocorreu por causa das mudanças na política de relacionamento com Estados e Municípios. “O MEC ficou esse período de 2007 construindo uma nova forma de indução de políticas, de relação com Estados e Municípios, que foi o Programa de Ações Articuladas. Durante o ano passado realmente não houve publicações e formação de professores. Mas, na nossa avaliação, não houve um retrocesso, porque isso vai possibilitar uma nova alavanca. Agora, estados e municípios vão poder solicitar a formação de professores na sua rede, e o MEC vai produzir mais publicações e em maior número” argumentou.

Durante os debates, realizados após a palestra da pesquisadora, muitos professores reclamaram da falta de material didático e orientações pedagógicas para tratar as situações de discriminações e racismo nas escolas. A professora de educação infantil Marinês Militão disse que não tem material para trabalhar em sala de aula. “Eu já pedi mil vezes para o MEC, mas até agora nada”, afirmou.

Schmidt prometeu que até o final do ano o MEC irá distribuir novos materiais didático-pedagógicos executar novas ações de formação de professores, que devem ser realizadas na modalidade à distância.

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