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Pisa 2015: com baixo investimento, educação no Brasil continua estagnada

O Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) de 2015, divulgado nesta terça-feira, dia 6 de dezembro, confirma os outros diagnósticos sobre a educação brasileira: o aprendizado está estagnado, o investimento é baixo e a desigualdade ainda é muito grande.

O Pisa mediu o conhecimento dos estudantes de 72 países em ciências (destaque desta edição), leitura, e matemática. Em comparação com os países participantes pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil ocupa a 63ª posição em ciências; a 59ª em leitura e a 65ª posição em matemática.

O relatório do Pisa ressalta que “aumentos no investimento em educação precisam agora ser convertidos em melhores resultados na aprendizagem dos alunos”.

Veja os resultados

As notas do Brasil tiveram pequenas variações desde 2003, início da série que permite comparações. Em matemática, o país vinha avançando, mas agora registrou uma leve queda. Em 2003, obteve 356 pontos; em 2006, subiu para 370 pontos; em 2009, avançou para 386; em 2012, atingiu 389 pontos. Em 2015, caiu para 377.

Em ciências, a nota foi 390 em 2006; 405 em 2009; 402 em 2012 e 401 pontos em 2015. Em leitura, em 2003, foram 403 pontos; em 2006, 393; em 2009, 412; em 2012, 407; e em 2015 os mesmos 407 pontos.

Essas diferenças são consideradas insignificantes estatisticamente, o que comprova a estagnação no aprendizado, informa a Agência Brasil.

Baixa aprendizagem

Quase metade dos estudantes brasileiros (44,1%) está abaixo da aprendizagem considerada adequada em leitura, matemática e ciências. Esses estudantes obtiveram uma pontuação de nível 2, considerado adequado. Em ciências, 56,6% estão abaixo do nível 2 e apenas 0,02% está no nível 6, o máximo da avaliação. Em leitura, 50,99% estão abaixo do nível 2 e 0,14% estão no nível máximo; em matemática, 70,25% estão abaixo do adequado e 0,13% no maior nível.

A reportagem de Mariana Tokarnia destaca que os resultados revelam que os estudantes brasileiros não conseguem reconhecer a ideia principal em um texto ou relacioná-lo com conhecimentos próprios, não conseguem interpretar dados e identificar a questão abordada em um projeto experimental simples ou interpretar fórmulas matemáticas.

Investimento baixo

A OCDE destaca que as condições socioeconômicas do Brasil e dos países da OCDE são bem desiguais. No Brasil, o Produto Interno Bruto (PIB) por pessoa é de US$ 15,9 mil, contra US$ 39,3 mil pela média da OCDE. O investimento por aluno dos 6 aos 15 anos no Brasil é de US$ 38,2 mil por ano, enquanto os países da organização investem US$ US$ 90,3 mil.

A agência de notícias do governo federal destaca que outros países, como a Colômbia, o México e o Uruguai investem  menos por estudante que o Brasil e tiveram um desempenho ligeiramente melhor em ciências.

Redes desiguais

As notas do Programa Internacional de Avaliação de Alunos reafirmam a grande diferença entre as redes públicas (federal, estadual e municipal) e privada, destaca o jornal O Estado de S. Paulo.

Em ciências, a média da rede federal foi de 517 pontos, a rede particular teve 487, as redes estaduais tiveram média de 394 e as municipais, 329. A média dos países membros da OCDE é de 493 pontos. A rede municipal, segundo o estudo, pode ter notas menores pelo fato de ofertar mais o ensino fundamental.

Estados desiguais

Dados do Inep, responsável pela aplicação do Pisa no Brasil, reforçam uma grande desigualdade também entre os Estados.

Em ciências, o estado que obteve a maior pontuação foi o Espírito Santo, com 435 pontos. O pior desempenho foi de Alagoas, com 360 pontos.

Em leitura, 15 estados ficaram abaixo da média nacional: Roraima, Mato Grosso, Rio de Janeiro, Pará, Pernambuco, Rondônia, Amapá, Paraíba, Rio Grande do Norte, Piauí, Sergipe, Maranhão, Tocantins, Bahia e Alagoas.

Mundo

Segundo o Pisa, em ciências, os melhores resultados estão em Cingapura (556), Japão (538) e Estônia (534). Em leitura, estão Cingapura (535), Hong Kong (China), o Canadá (527) e a Finlândia (526). Em matemática, Cingapura também aparece em primeiro lugar, com 564 pontos, seguida de Hong Kong (548) e Macau (China), com 544 pontos.

No Brasil, se fosse considerada apenas a rede federal, que seleciona os melhores alunos, a média de ciências é semelhante a de Hong Kong (523), Nova Zelândia (513) e Austrália (510). No caso da rede estadual, a nota é semelhante à do Peru (397), Líbano e Tunísia, por exemplo.

De acordo com a OCDE, 30 pontos no Pisa equivalem a um ano de estudos, ou seja, os estudantes brasileiros estão cerca de três anos atrás em ciências e leitura e mais de três anos em matemática na comparação com os demais países.

Inep

Para o Inep, a repetência está entre os fatores determinantes párea o baixo desempenho. Na avaliação internacional, 36% dos jovens de 15 anos afirmaram ter repetido uma série pelo menos uma vez.

O nível socioeconômico também influencia o desempenho. Entre os países da OCDE, a diferença entre estudantes com maior e menor nível pode chegar a 38 pontos de proficiência. No Brasil, essa diferença chega a 27 pontos, ou o equivalente um ano de aprendizagem.

MEC

A secretária executiva do Ministério da Educação, Maria Helena Guimarães de Castro, culpou a má formação dos professores pelo resultado. “Pena que os professores do Brasil não leem o relatório do Pisa”, afirmou ela, de acordo com o jornal O Globo.

Segundo ela, resultado do Brasil “é muito ruim em comparação até com países que têm investimento menor que o nosso em educação e, inclusive, um nível de desenvolvimento inferior ao do Brasil”, afirma.

Pisa

O Pisa testa os conhecimentos de estudantes de 15 anos a cada três anos. Participaram da edição do ano passado 540 mil estudantes.

A avaliação incluiu os 35 países-membros da OCDE, além de economias parceiras. No Brasil, participaram 23.141 estudantes de 841 escolas. A maior parte deles (77%) estava matriculada no ensino médio, na rede estadual (73,8%), em escolas urbanas (95,4%).

Veja o sumário executivo do Brasi no Pisa 2015