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Plano Nacional de Educação não será cumprido no tempo, diz ex-ministro da educação

A crise econômica impedirá o cumprimento do Plano Nacional de Educação (PNE), disse o ex-ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, em entrevista ao jornal O Globo, publicada nesta quarta-feira, dia 7.

“O Plano Nacional de Educação (PNE) é uma bela proposta, mas temos que dizer a verdade e assumir que, com a dificuldade financeira, não vai dar para implantá-lo, pelo menos nos próximos anos, na velocidade proposta. Vamos ter mais um tempo de crise, e haverá atraso. É preciso deixar isso claro”, disse à repórter Renata Mariz.

Mais dinheiro na educação

Janine criticou a pressão por mais recursos durante a crise. “Ouvi que cabia ao MEC encontrar outra fonte de recursos. Isso faz parte da terceirização da responsabilidade. Se o Congresso aprovou o PNE, tem a obrigação de encontrar uma saída. Não pode terceirizar para o MEC, para os governadores, para os prefeitos”, afirmou.

Ele fez um balanço “muito positivo” dos seis meses em que ocupou a pasta e reconheceu que fez “muito menos do que queria”. “A intenção era, mesmo com pouco dinheiro, colocar algumas políticas na rua em breve, como a formação de diretores. Fizemos modificações importantes no Fies, aumentando a proporção de vagas em cursos com as melhores notas”, afirmou.

O ex-ministro confirmou que Ciência sem Fronteiras, está suspenso, não extinto. “É preciso aprender o que foi o envio desses cem mil jovens, na maioria para o exterior, e ver o que deu certo, o que pode melhorar”, disse.

Greve

Sobre a greve de mais de quatro meses nas universidades federais, ele destacou que “sempre esteve disposto a negociar”, criticou os “insultos pessoais por parte de um sindicato” e defendeu o não pagamento dos dias parados.

Ele comparou o que ocorre nas greves no setor privado e público. “Se o empregado da iniciativa privada está perdendo emprego, como se justifica que você dê aumentos acima do convencionado para funcionários? Penso que está na hora de repensar essa questão da greve, As pessoas fazem uma greve sem custo para elas, é algo que acho que deve ser revisto”, afirmou.