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Professor entusiasmado: uma espécie em extinção?

Professores comprometidos, exigentes, que respeitam o aluno e dominam o conteúdo estariam em extinção? Ou a falta de valorização e de reconhecimento é que desestimula muitos docentes a continuar na carreira ou manter o prazer pela profissão.

Esta é a questão levantada no livro “O professor universitário entusiasmado – Seis estudos sobre uma espécie em extinção”, de autoria de sete pesquisadores de instituições de ensino de Brasília, lançado agora em abril.

 Cesta Básica

“Professores entusiasmados não são professores ‘cesta básica’. E o pior é que nós temos uma razoável convicção de que eles não podem ser formados. O entusiasmo é algo muito profundo, remonta às origens até familiares. São valores, princípios, ética, esse tipo de coisa que não se ensina em cursos”, diz o professor aposentado José Florêncio Rodrigues Júnior, da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (FE/UnB) e um dos autores do livro.

O jornal Correio Braziliense informa que a pesquisa incluiu a aplicação de mais de 450 questionários entre estudantes concluintes de cursos. Os pesquisadores identificaram o professor entusiasmado como aquele que respeita os alunos – chama a todos pelo nome-, é sábio, tem senso de comprometimento e é exigente. “Eles não são professores coniventes, que tentam se fazer aceitáveis e populares. Outro traço importante é que são informais, têm um estilo de vida solto, casual”, disse José Florêncio à repórter Mariana Niederauer.

 Turma apática

Este perfil, destaca a pesquisa, frequentemente os colocam em conflito com a instituição ou com os colegas de trabalho, segundo a pesquisa. “Acaba-se criando um clima em que eles ou pedem para sair ou são mandados embora”, afirma o pesquisador.

Já quando superaram estes desafios, esses profissionais contagiam os estudantes e os incentivam a aprender. “Eu não posso ser um professor entusiasmando com uma turma apática, checando WhatsApp o tempo todo. Há aquilo que se chama reciprocidade no entusiasmo”, afirma o professor.

Os estudantes que responderam ao questionário da pesquisa também indicaram professores que consideram entusiasmados em sala de aula. O Correio Braziliense ouviu quatro desses profissionais, que relataram suas experiências e os desafios do dia-a-dia.

 

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