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Psicomotricidade: a importância do movimento infantil

A redução do espaço do brincar gerada a partir das mudanças do espaço urbano, bem como as novas demandas das famílias da sociedade contemporânea, transferiram para a escola a necessidade de um olhar mais apurado para o desenvolvimento psicomotor das crianças. Mais ainda, as novas tecnologias inevitavelmente contribuem para a diminuição das possibilidades de movimento dos infantes. Essa é a realidade, sobretudo nas grandes cidades. Como equacionar essa necessidade vital, já que criança é movimento, e a percepção do mundo que a cerca e o modo como ela interage com ele e com os outros vai afetá-la socialmente ao longo da vida? Como mostrar ao professor a importância dessa ressignificação do espaço escolar?

Na Escola Stance Dual, em São Paulo, Fátima Gonçalves, educadora física, especialista em psicomotricidade e mestranda em Educação e Saúde na Infância e na Adolescência, é quem dá à ciência que se utiliza do movimento para estudar a complexidade humana o caráter de essencial ferramenta pedagógica para a formação de crianças. Por meio de reuniões individuais mensais com os professores dos alunos de 2 a 7 anos, Fátima trabalha a particularidade de cada faixa etária, articulando a psicomotricidade com o conteúdo de sala de aula. “Ao conhecer os processos de desenvolvimento psicomotor nas diferentes idades, o professor passa a entender que tipo de aquisição a criança está pronta para receber aos quatro, cinco e seis anos de idade, e é fundamental que promova situações nas quais ela tenha desafios”, assinala.

A intenção, segundo a educadora, é problematizar para que a criança saia da zona de conforto e procure fazer suas próprias construções, atingindo autonomia na resolução de problemas. Isso pode ser feito de maneira muito simples, destaca, introduzindo novos elementos na sala de aula, propondo jogos e atividades que estimulem a percepção corporal e, consequentemente, auxiliem no desenvolvimento intelectual do aluno. Sempre tendo como pano de fundo o lúdico, é claro.

A educadora cita um exemplo de sucesso. Com alunos de 5 anos, a professora trançou elástico de roupa por todo mobiliário da sala. Os alunos chegaram e tinham que ocupar esse espaço com esse novo elemento, mas sem tirá-lo. Pula daqui, puxa dali, mas o elástico foi mantido. No final, eles tinham que vivenciar a costumeira roda de conversa. Mas como fazer isso com todo aquele elástico “atrapalhando”? Com a ajuda um do outro, conseguiram. “Desestruturamos a criança dentro daquilo que é confortável para que ela faça novas elaborações”, explica.

Suporte de aprendizagem e profilaxia

A escrita, leia-se letra cursiva, é um processo considerado, pela especialista, de extrema complexidade. Para que a criança consiga sentar, se concentrar e escrever, ela precisa de um amadurecimento psicomotor que leva tempo para adquirir. “Quando chega a hora certa, a criança atinge essa maturidade e, mais adiante, consegue fazer as abstrações necessárias ao aprendizado”, diz. “Nosso projeto é também profilático. A psicomotricidade pode favorecer um trabalho preventivo adequado para orientar possíveis lacunas deixadas durante o processo maturacional das crianças, compensando déficits atribuídos à privação de movimento e da experiência lúdico-espacial, comuns nessa infância contemporânea”, acrescenta. Quanto ao fim da letra cursiva, apregoada em alguns cantos do mundo, Fátima afirma que esse trabalho abarca questões que vão muito além do aprender a escrever em letra de mão. “Pretendemos promover os alicerces para aprendizagens dentro e fora da escola”. Afinal, resolução de problemas e autonomia não são termos amplamente usados no mundo do trabalho?Способы взлома страниц вконтактеооо полигонтамбов дополнительное