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Qual a ciência de uma boa aula?

O professor dá aula diariamente, e os alunos escutam. Mas como saber se as relações com o conhecimento estão sendo estabelecidas pelos jovens estudantes? Essa é uma tarefa diária e árdua de diretores e coordenadores de escolas particulares que têm a excelência acadêmica em seu currículo.

A diretora pedagógica do ensino fundamental da Escola Móbile, em São Paulo, Cleuza Vilas Boas Bourgogne, diz que a garantia para um desenvolvimento intelectual do aluno exige um comprometimento diário do educador, que, sob supervisão e formação pedagógica, adquire técnicas que propiciam aos alunos um registro constante do aprendizado adquirido.

Segundo a educadora, a Escola Móbile trabalha “o registro do conhecimento” com seus alunos desde os primeiros anos da escolaridade. É com os pequenos, de três anos de idade, que a escola dá o ponto de partida para um trabalho contínuo que irá até o último ano do Ensino Médio. “Uma criança de três anos de idade, que vem de uma família com hábitos de leitura, já sabe que existem formas diferentes de registro, e que onde está escrito alguma coisa, está depositado algum significado”, explica ela.

Para dar continuidade ao conhecimento prévio do aluno, a escola parte da apresentação de diferentes intenções de um registro, nos diversos gêneros. “As crianças começam a perceber que um registro pode ter a intenção de contar uma história, ou registrar algo que ouviu e é importante memorizar”, diz a educadora.

Começa aí, a familiaridade com o mundo da escrita. Mas como ter a garantia que o aluno realmente aprendeu e assimilou as informações apresentadas pelo professor? Cleuza Vilas Boas afirma que esta habilidade exige técnica do professor, e que na Escola Móbile as técnicas estão inseridas em todas as aulas e disciplinas.

“Nossos professores são capacitados a aprender uma série de técnicas de transmissão oral, da mesma forma que os alunos são capacitados a adquirirem técnicas que favoreçam a captação do conhecimento”, diz. “A partir do momento que o professor tem claro de que é na sala de aula onde ocorre o intercâmbio oral, ele começa a pensar no planejamento de suas atividades em classe, levando em consideração a faixa etária dos alunos, o conhecimento prévio que já têm sobre o tema a ser abordado, e as diversas estratégias necessárias para o desenvolvimento de uma aula com um objetivo final”, explica a diretora.

Para orientar os docentes na elaboração dos planejamentos de aula, a escola organiza sequência de debates com situações comunicativas onde os professores aprendem a relacionar as estratégias de aula com a aprendizagem dos alunos. Mas a supervisão diária do coordenador pedagógico também é fundamental para garantir o desenvolvimento do processo ensino-aprendizagem dos alunos da Escola Móbile.

A diretora é enfática ao dizer que o professor, para ser bom, tem que entender que a língua oral é um instrumento de aprendizagem e que deve proporcionar a interação professor-aluno. “Não adianta o professor ficar falando, e o aluno não entender o que ele diz”, reforça a educadora. Em uma aula onde existe interação professor-aluno, o professor dá dicas que ajudam os estudantes a captarem as técnicas necessárias para o registro das informações. As dicas devem ser verbalizadas aos alunos, sobre suas propostas e objetivos, bem como o que o professor espera que os alunos aprendam.

Cada professor tem a liberdade de pensar em estratégias e técnicas pessoais nos planejamentos que elabora, mas segundo a diretora, a interação é necessária para que o trabalho não fique pela metade. “O professor deve retomar com os alunos no fim da aula, o percurso que fizeram durante a aprendizagem”.

Exemplos de técnicas…

Verbalizar e voltar para a lousa é um registro coletivo. Quando o professor se vale desta técnica, ele está socializando o conhecimento e assegurando que os alunos o confrontem através de perguntas, de questionamentos e argumentos. Com os alunos maiores, a partir do 5º ano, uma das estratégias é favorecer os trabalhos em grupo e instigar os alunos a recorrerem aos registros feitos nos meses anteriores, favorecendo a continuidade da aquisição do conhecimento.

Se surgem imprevistos, os professores devem estar preparados. “Se durante a aula o professor percebe que a turma está entrando em uma curva de cansaço, ele tem que ter estratégias para driblar a situação e retomar a atenção da classe”, diz a diretora. Segundo Cleuza, é função da escola trabalhar o aumento do tempo de concentração dos alunos.

Práticas coletivas…

Cada professor cuida das especificidades de sua disciplina, mas no começo de todo o ano elabora junto aos colegas um documento com “práticas coletivas”.

“São metas comuns voltadas tanto para as questões atitudinais, quanto em aprendizagens mais acadêmicas e procedimentais”, complementa Cleuza, citando o exemplo: “Se no 8º ano vamos trabalhar com roteiro de aula, os professores têm um trabalho em comum. Quem irá começar com o roteiro de aula? Os professores definidos – de duas disciplinas diferentes- têm de enxertar roteiros de aula no planejamento deles”, explica a diretora.

Em cada uma das propostas coletivas, os professores se revezam na aplicação a cada bimestre. As práticas coletivas são trabalhadas durante todo o percurso do ensino fundamental da Escola Móbile. Para a diretora, a aplicação dessas práticas ajuda a estabelecer e dar coerência aos princípios educacionais da escola. “Temos que ter a mesma meta de aprendizagem. O aluno da Escola Móbile sabe que deve escrever bem, não só na aula de português, mas em todas as disciplinas”, finaliza a diretora.rabotaplusсоздание брендбукаmsnhotmail.co.uk login