by /0 comments

Quase 60% dos professores tem problemas com a voz

Cerca de 25,6% dos docentes ouvidos em pesquisa tiveram perda temporária da voz, informa a Agência Fapesp

Uma pesquisa com 747 professores da rede municipal de Vitória da Conquista (BA) revela que 59,2% estavam com rouquidão e, destes, 25,6% tiveram perda temporária da voz, informa a Agência Fapesp.

A pesquisa, realizada por pesquisadores da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) e da Universidade Federal da Bahia (UFBA), foi publicada na edição de junho dos Cadernos de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

“Ainda que não seja uma doença ocupacional aguda, a rouquidão começa com sintomas de fraqueza de voz, que levam à dificuldade de modulação, e percorre um caminho que pode levar a patologias como nódulos e calos nas cordas vocais”, disse o professor Eduardo Farias dos Reis, da Faculdade de Medicina da UFBA, ao repórter Thiago Romero. “Calos nas cordas vocais, que é o momento mais avançado em que a doença já está instalada, foram relatados por 12,9% das docentes”, afirma ele, que também é diretor do Fundo Estadual de Saúde, vinculado à Secretaria de Saúde do Estado.

O estudo aponta que 91,7% das professoras fazem uso intensivo da voz, sendo as duas alterações mais comuns o cansaço ao falar e a sensação de voz rouca ou fraca após um dia de trabalho. Quanto aos sintomas relacionados à saúde da garganta, os mais freqüentemente citados foram sensação de ressecamento (66,5%), coceira (51,5%), pigarro (49,7%) e dor (43,6%).

Segundo Reis, a prevalência de rouquidão é similar à observada em outros estudos internacionais, que apontaram um índice de 57% em professores na Espanha e 58% nos Estados Unidos. “Outras pesquisas mostram ainda que uma parte importante do ato vocal é usada para controlar e disciplinar os alunos, e não para transmitir conhecimento. Esse é um problema vivido pelos professores de todo o país e que acaba tendo diferentes repercussões no ensino, que vão desde dificuldades na sala de aula, devido ao uso inadequado e nocivo da voz, até o afastamento temporário ou permanente do trabalho”, afirmou.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) considera os professores como a categoria de maior risco de contrair enfermidades da voz. O tipo de voz mais propenso a causar danos aos órgãos vocais, segundo a organização, é a “voz projetada”, aquela utilizada para exercer influência sobre outras pessoas, seja para chamar atenção ou para tentar persuadir e ganhar a audiência.

O estudo aponta que a rouquidão esteve associada a fatores como trabalhar como professora há cinco ou mais anos, exercer atividades em duas ou mais escolas, ter mais de 24 horas semanais em sala de aula em todas as escolas em que trabalha e usar a voz gritando ou falando alto. A rouquidão, cansaço ao falar, perda da voz e irritação na garganta foram mais freqüentes entre os professores com mais de 25 horas semanais de trabalho.

De acordo com o artigo, os fatores de risco para o adoecimento vocal listados com mais freqüência na literatura científica são de cunho biológico (predisposição hereditária) ou relativos aos hábitos individuais (falta de educação vocal apropriada). Um dos principais destaques do estudo foi mostrar a importância dos fatores associados à forma e à intensidade com que o trabalho docente é executado, indicando a necessidade de redimensionamento de alguns aspectos do trabalho docente, como, por exemplo, a diminuição do tempo que se usa a voz profissionalmente.

“Vale lembrar que o uso intensivo da voz foi referido por mais de 90% das professoras. Então, esse tipo de fator associado à ocorrência de alterações vocais deve ser considerado na formulação e na execução de medidas preventivas do adoecimento vocal dessas profissionais em todo o país”, destacou o professor da UFBA.

Leia a íntegra do artigo Fatores associados a alterações vocais em professoras

технология укладки полавладимир мунтян проповедниккупить окрасочно-сушильное оборудование